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03/11/2008 - 10h52

Análise: fusão de Itaú e Unibanco continua processo de concentração bancária

Sílvio Crespo
Em São Paulo
A fusão entre o Itaú e o Unibanco, anunciada nesta segunda-feira, dá continuidade ao processo de concentração bancária no Brasil, acelerado após os problemas financeiros no mercado internacional.

A crise "impulsionou essa operação (de fusão); criou condições propícias para isso", afirma o economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios. Ele já havia chamado atenção, em reportagem do UOL, para o fato de que, com a crise, o processo de concentração bancária no país vem caminhando mais rapidamente.

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Segundo ele, a fusão é uma forma de os bancos conseguirem inserção no exterior. A crise apenas possibilitou que o negócio fosse fechado mais rapidamente. Em situações normais, "poderia haver alguma rejeição por parte dos acionistas, mas, num momento de crise, qualquer medida para fortalecimento (dos bancos) ganha apoio considerável dos acionistas".

Leite lembra que o Unibanco era o responsável, no Brasil, pelas operações da seguradora americana AIG, que precisou ser nacionalizada pelo governo dos Estados Unidos em setembro, em troca de um empréstimo de US$ 85 bilhões, depois de um adicional de US$ 37,8 bilhões.

Os problemas da AIG "prejudicaram um pouco a imagem do Unibanco", segundo Leite. Ele ressalva, no entanto, não acreditar que "o banco pudesse ter qualquer tipo de dificuldade financeira, ou risco de alguma descontinuidade".

O processo de fusão será analisado pelo Banco Central e pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O primeiro tende a olhar mais para os aspectos relacionados à solidez do sistema financeiro nacional, enquanto o segundo observa as questões de concorrência.

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