Por Renato Andrade
SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central anunciou nesta quinta-feira uma nova medida que pode garantir aos bancos cerca de R$ 40 bilhões, em mais um passo da autoridade monetária para recuperar o mercado de crédito brasileiro.
A partir de 1º de dezembro, o recolhimento compulsório adicional exigido dos bancos sobre depósitos a prazo, à vista e de poupança passará a ser em títulos públicos e não mais em dinheiro.
O BC espera, com isso, recompor os volumes de compulsórios recolhidos em títulos e, ao mesmo tempo, preservar a liquidez do mercado, já que os bancos não terão que fazer o recolhimento em espécie.
As alíquotas do compulsório adicional -5% para depósitos a prazo e à vista e 10% para poupança- permanecem inalteradas, ou seja, os bancos terão que recolher ao BC o equivalente a estas alíquotas em títulos.
O compulsório é um dinheiro que os bancos são obrigados a manter depositados no Banco Central. Parte destes recursos não é remunerada, mas para o chamado compulsório adicional, o BC pagava a variação da taxa Selic.
Agora, a remuneração do adicional vai depender do título que cada banco entregar ao BC.
A medida tem o potencial de liberar aos bancos R$ 40 bilhões, que é o volume atual que estes compulsórios adicionais representam.
Desde que a crise financeira global se acentuou, em meados de setembro, o Banco Central já tomou diversas medidas para minimizar os impactos das turbulências internacionais sobre o mercado de crédito doméstico.
As regras sobre o recolhimento compulsório já foram ajustadas algumas vezes. Além disso, o BC voltou a vender contratos de swap cambial e a atuar no mercado à vista de câmbio, bem como garantir recursos para o financiamento do comércio exterior.
(Edição de Vanessa Stelzer)