Há um ano, a General Motors era a maior fabricante de automóveis do mundo. Hoje, corre risco de ir à falência. Seu valor de mercado caiu de US$ 22,181 bilhões em outubro do ano passado para apenas US$ 1,837 bilhão, o que representa uma queda de 91,7% no período, segundo dados da consultoria Economatica.
"Se a GM fosse à falência, isso não surpreenderia o mundo dos negócios", afirma Sérgio Buarque de Holanda Filho, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo.
Nem mesmo uma fusão com uma empresa americana garantiria a salvação da GM, segundo o economista. "Isso seria um problema, porque as principais fábricas de todas as montadoras americanas estão tecnologicamente ultrapassadas em relação às japonesas."
Os fabricantes do país asiático oferecem "produto considerado de melhor qualidade e custo de produção menor", afirma o economista. A crise financeira mundial apenas acelerou o processo de perda de mercado da GM. "A Toyota está sofrendo (com a crise), mas muito menos do que as empresas americanas."
Para recuperarem o espaço perdido, as montadoras dos EUA precisariam tomar a "decisão drástica" de fechar as fábricas antigas e construir novas, segundo Buarque de Holanda Filho. A crise torna esse tipo de movimento mais necessário, mas também mais difícil. "As possibilidades de investimentos pesados durante um momento de incerteza são menos atrativas."
SocorroA ajuda do governo brasileiro aos fabricantes de automóveis "pode diminuir o impacto negativo da crise, mas não será uma solução definitiva", na avaliação do economista. Nas últimas semanas, o Banco do Brasil e a Nossa Caixa lançaram, cada um, uma linha de crédito de R$ 4 bilhões para o setor.
"Enquanto não houver sinais claros de que a crise, num país como o Brasil, não será tão forte, as pessoas tendem a adiar a compra de carros novos", afirma Buarque de Holanda Filho. "O governo pode facilitar empréstimo, diminuir os juros, mas isso tudo é um remédio parcial."