01/12/2008 - 17h28
Presidente do BNDES não acredita em calotes de países da América do Sul
Juliana Castro
No Rio de Janeiro
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse nesta segunda-feira não acreditar que Bolívia, Venezuela e Paraguai sigam o exemplo do Equador, que pediu à Câmara de Comércio Internacional de Paris o perdão de US$ 243 milhões emprestados pelo banco para a construção da Usina Hidrelétrica San Francisco.
"Não nos consta que os outros países devam fazer a mesma coisa", afirmou Coutinho em entrevista coletiva nesta tarde na sede do BNDES, no Rio de Janeiro.
Coutinho declarou ainda não ter conhecimento de que Venezuela, Paraguai e Bolívia estariam fazendo auditorias a exemplo do que fez o Equador. O presidente do BNDES também disse que não houve comunicação entre a Receita Federal e o BNDES sobre a participação de uma funcionária da Receita na auditoria feita pelo Equador.
Coutinho afirmou que todo o processo de empréstimo é feito por meios legais, o que protege o Brasil.
"Todo esse processo é feito sob a égide das normas legais dos dois países e, portanto, são empréstimos tomados pelos países beneficiários de forma mais do que voluntária e o banco atende (o pedido) sob condicionantes", afirmou.
O vice-presidente do BNDES, Armando Mariante, lembrou que nunca houve um caso de inadimplência com este tipo de empréstimo e que até hoje o Equador nunca deixou de pagar nenhuma dívida.
Mariante pareceu não se incomodar com o pedido de auditoria feita por Rafael Corrêa, o presidente do Equador, que chegou a dizer que a dívida era ilegal, ilegítima, corrupta e que o empréstimo foi feito pela construtora Odebrecth e não pelo país.
"Ele (Rafael Corrêa) tem todo direito de fazer auditoria. Foi um contrato que foi feito em outro governo", disse.
Coutinho lembrou que esta questão cabe ao ministério das Relações Exteriores, mas o BNDES pode auxiliar com informações.
"Não é nosso objetivo tomar o lugar da política externa", disse.
Histórico
A dívida do Equador junto ao BNDES foi feita em 2000, quando a estatal equatoriana Hidropastaza S.A sócia da Odebretch fez um empréstimo junto ao banco. Mas, o governo do Equador questiona os serviços que foram prestados pela empreiteira brasileira.
As relações entre Equador e Brasil ficaram estremecidas desde que Rafael Corrêa expulsou a construtora do Equador, acusando-a de falhas na construção da hidrelétrica San Francisco.