O ano de 2008 começou promissor e parecia que o Brasil iria brilhar em meio a um cenário internacional favorável. Entre abril e maio, o país recebeu de três fontes diferentes o tão sonhado grau de investimento (o que significa baixo risco para aplicações de estrangeiros).
Primeiro, em 30 de abril, foi a agência de avaliação de risco
Standard & Poor´s. Menos de um mês depois, a agência canadense
DBRS tomou a mesma decisão. No dia seguinte, a
Fitch também concedeu o grau de investimento.
Com a boa notícia, a Bovespa bateu sucessivos
recordes de pontuação, chegando a 73.516,8 pontos em 20 de maio. Mas o tempo virou e, cinco meses mais tarde, em outubro, a Bolsa foi jogada abaixo dos 30 mil pontos.
A causa da virada foi a
derrocada financeira global, que sacudiu a economia de todos os países em 2008 e teve início nos EUA um ano antes, com a crise do "subprime", como é chamada a modalidade de empréstimos de segunda linha no país.
Crédito imobiliárioCom o aquecimento do mercado imobiliário, as financeiras americanas passaram a confiar de modo excessivo em pessoas que não tinham bom histórico de pagamento de dívidas.
Os bancos decidiram transformar os empréstimos hipotecários em papéis e os venderam a outras instituições financeiras, culminando em uma perda generalizada.
O Tesouro dos Estados Unidos teve de
resgatar as agências hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, ligadas ao financiamento de imóveis nos EUA, e ofereceu garantias de até US$ 100 bilhões para as dívidas de cada uma delas.
Quebra do Lehman BrothersO banco de investimentos
Lehman Brothers entrou em processo de falência e ocasionou, na ocasião, a maior
queda generalizada nas Bolsas do mundo todo.
Alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos, verdadeiros gigantes das finanças, como o
Citigroup, também são afetados e anunciam prejuízos bilionários, risco de falência, milhares de demissões e tiveram de ser socorridos, iniciando um processo que se alastrou para outros bancos e setores ao redor do mundo.
Marcas tradicionais e conhecidas internacionalmente, como
General Motors,
Chrysler e
Basf, tremem sob o impacto da crise.
Falta de créditoA economia real foi atingida porque faltou crédito. Com os bancos enfrentando dificuldades, há menos dinheiro para emprestar às pessoas e às empresas.
Isso causa menos movimento na economia (a chamada
recessão). Pessoas sem dinheiro compram menos. As vendas das empresas caem, e elas têm de reduzir a produção, o que leva ao desemprego.
Para tentar deter a derrocada econômica, os EUA lançaram
pacote de ajuda de até US$ 850 bilhões. Foi a primeira de uma série de medidas deflagradas pelo mundo todo.
Recessão pelo mundoMesmo assim, diferentes países entraram em recessão ou enfrentam risco de lidar com uma. Os
Estados Unidos, por exemplo, foram declarados oficialmente em recessão.
A
Alemanha, maior economia da zona do euro, também ficou na mesma situação, assim como a própria
zona do Euro.
A
Islândia foi um caso radical, em que todo o sistema financeiro foi arrasado.
O pessimismo deixou o mercado acionário tenso, com quedas históricas. A
Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) interrompeu suas atividades seis vezes em menos de um mês, por ter caído demais.
Como outros países, o Brasil também adotou
várias medidas, entre elas mudanças no
Imposto de Renda, com criação de novas alíquotas, e cortes em impostos para carros, por exemplo.
Apesar dos sucessivos planos de socorro, com trilhões de dólares, anunciados no mundo todo (de novo nos
EUA e na
Europa), para tentar reanimar a economia, não houve muitos resultados concretos. As previsões são de
crise severa em 2009.
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