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13/01/2009 - 11h52

Demissões aumentarão na indústria, mas sem afetar comércio, diz economista

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo
O primeiro semestre de 2009 deverá registrar um elevado número de demissões no Brasil, por conta do agravamento da crise financeira no mundo e dos efeitos que essa turbulência traz na confiança dos empresários brasileiros, segundo análise do professor de derivativos e riscos Alexandre Jorge Chaia, do Ibmec São Paulo.

Por outro lado, Chaia acredita que a crise ainda não interferiu de forma significativa no poder de compra do consumidor, e por isso, o varejo brasileiro não deve sentir tanto os efeitos da desaceleração econômica mundial.

Perspectiva de venda menor faz indústria segurar preços

"O comércio ainda deve manter um bom nível de emprego, porque o mercado interno ainda está consumindo bem", afirma.

"O problema no Brasil é que o empresariado não consegue enxergar um horizonte de estabilidade que proporcione uma política de investimentos capaz de gerar mais empregos", diz Chaia.

Ele acredita que o setor exportador é o que deverá sofrer mais com cortes de pessoal nestes primeiros meses por conta da desaceleração do consumo nos países mais afetados pela crise e a escassez de crédito.

"O mundo está mais receoso e consumindo menos, por isso, as vendas brasileiras ao exterior já estão sentindo os efeitos e mostrando números menores", diz.

A constatação pode ser comprovada pelo desempenho do comércio exterior do início deste ano. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, a balança comercial brasileira registrou déficit de US$ 12 milhões nos 11 primeiros dias de janeiro.

Melhora de cenário
Segundo o economista, o Brasil só deverá registrar novas contratações quando os demais países interromperem a criação de pacotes de incentivo econômico, em um sinal de que a crise já está ficando para trás.

"Enquanto novos planos de ajuda estiverem sendo lançados, o nível de investimentos e produção continuará muito baixo e, provavelmente, projetos que estavam na iminência de acontecer serão descartados. Novas medidas significam que ainda não chegamos ao fundo do poço para dar início a um processo sustentável de desenvolvimento", afirma.

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