(Texto atualizado às 14h18)A taxa de desemprego caiu de 7,6% em novembro para 6,8% em dezembro, atingindo o menor percentual desde 2002, quando o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) adotou a metodologia atual da pesquisa (
veja gráfico no final do texto). Em 2008, o índice desceu para 7,9%, também o menor da série anual, ante 9,3% no ano anterior.
A queda no desemprego, no mesmo mês em que o país perdeu mais de 600 mil postos de trabalho formais, é explicada pelo aumento da informalidade, segundo o economista Francisco Barone, da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro.
"Houve um aumento sazonal do emprego temporário em função do Natal, o que compensou em parte a queda substancial do emprego formal", afirma Barone.
Segundo ele, além das contratações para o Natal, "a informalidade, no sentido estrito de emprego sem carteira assinada, tende a absorver boa parte dos funcionários que perderam emprego".
O economista explica, ainda, que as grandes empresas sofreram maior impacto da crise internacional. Já as pequenas, que muitas vezes usam mão-de-obra informal, não estão necessariamente demitindo funcionários.
Dado surpreendeAnalistas consultados pela agência Reuters esperavam uma taxa de 7,2% em dezembro, de acordo com a mediana de 19 estimativas.
A população desocupada caiu 11% em relação a novembro e 6,3% sobre dezembro de 2007, para 1,6 milhão de pessoas. Já o total de brasileiros ocupados ficou estável em relação a novembro, mas subiu 3,4% sobre dezembro de 2007, para 22,1 milhões.
O rendimento real médio teve alta de 0,5% em dezembro sobre novembro e de 3,6% sobre dezembro de 2007, para R$ 1.284,90.
Recife tem maior queda no desempregoNa pesquisa por regiões, em comparação com novembro, Recife registrou a maior queda no desemprego, de 1,9 ponto percentual, para 7,8%, seguida por São Paulo, de 1,1 ponto percentual, para 7,1% e pelo Rio de Janeiro, de 0,7 ponto percentual, para 6,2%.
| TAXA DE DESOCUPAÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA (EM %) |
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| Período | Total | Recife | Salvador | Belo Horizonte | Rio de Janeiro | São Paulo | Porto Alegre |
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| dez/02 | 10,5 | 11,3 | 14,8 | 8,3 | 8,9 | 11,7 | 7,5 |
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| dez/03 | 10,9 | 12,1 | 15,7 | 10,4 | 8,6 | 11,8 | 7,9 |
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| dez/04 | 9,6 | 11,1 | 15,4 | 8,5 | 8,5 | 9,8 | 6,6 |
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| dez/05 | 8,3 | 13,9 | 14,6 | 7 | 6,8 | 7,9 | 6,7 |
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| dez/06 | 8,4 | 10,4 | 12,4 | 7,1 | 6,5 | 9 | 6,6 |
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| dez/07 | 7,4 | 9,9 | 11,4 | 5,5 | 6,1 | 8 | 5,3 |
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| nov/08 | 7,6 | 9,7 | 10,3 | 5,2 | 6,9 | 8,2 | 5,3 |
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| dez/08 | 6,8 | 7,8 | 10 | 5,5 | 6,2 | 7,1 | 4,7 |
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CagedOs dados do IBGE são mais animadores do que os do
Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, que mostrou, no início da semana que em dezembro houve uma redução de 654.946 empregos com carteira assinada no Brasil.
Segundo a pesquisa, foi a maior queda mensal desde maio de 1999, quando o ministério começou a usar a metodologia atual. O recorde anterior havia sido em dezembro de 2004, quando o país perdeu 352.093 vagas.
De acordo com o órgão, em dezembro de 2008, o setor mais afetado foi a indústria de transformação, que engloba vestuário, automóveis, calçados e móveis. Somente nestes segmentos, foram perdidas 273.240 vagas de emprego.
(Com informações da Reuters)