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12/02/2009 - 10h17

Gigante chinesa investirá quase US$ 20 bi na Rio Tinto, rival da Vale

Da Redação
Em São Paulo
A gigante pública chinesa do alumínio Chinalco vai investir US$ 19,5 bilhões na mineradora anglo-australiana Rio Tinto, rival da brasileira Vale. Será o maior investimento, até hoje, de uma companhia chinesa no exterior.

O acordo que vai assegurar matérias-primas para a China e ajudar a reduzir a dívida da mineradora, atualmente em US$ 38,9 bilhões, mas também levanta questões regulatórias.

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12.fev.09 - Stephen Hird/Reuters
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"A operação dará oportunidade a uma associação estratégica com uma companhia chinesa líder", afirma Rio Tinto em um comunicado divulgado na Bolsa de Sydney.

Como parte do maior investimento já feito no exterior por uma companhia chinesa, a Chinalco investirá US$ 12,3 bilhões em participações de até 50% em nove ativos de mineração da Rio Tinto.

A empresa chinesa também vai comprar US$ 7,2 bilhões em bônus conversíveis em ações da maior produtora de alumínio do mundo, segunda maior mineradora de minério de ferro e quinta maior produtora mundial de cobre.

A Chinalco, controladora da Aluminum Corp of China (Chalco), vai potencialmente dobrar sua participação na Rio Tinto para 18%, informou a mineradora, negando que está vendendo sua independência para a China.

"Eles se prenderam no canto, mas um ponto positivo são os US$ 20 bilhões em dinheiro enquanto tentam acertar problemas imediatos de balanço", disse Michael Bentley, da Northward Capital.

"Do lado negativo, eles tiveram de vender parte do grupo e particularmente os ativos de minério de ferro, que eram a jóia."

Austrália avalia o caso
A operação provavelmente enfrentará um exame minucioso do governo australiano, que quer assegurar que investimentos de companhias estrangeiras não gerem questões políticas ou estratégicas.

Pouco antes do anúncio da Rio Tinto, o secretário do Tesouro da Austrália, Wayne Swan, afirmou que o governo vai restringir imediatamente as leis de propriedade por grupos estrangeiros ao tratar dívidas conversíveis como se fossem ativos.

O presidente da Chinalco, Xiao Yaqing, disse a jornalistas por meio de intérprete que está ciente da mudança proposta e que não vê as declarações de Swan como um sinal negativo.

"Estamos muito satisfeitos em termos acesso a alguns ativos de classe mundial, bem como expertise de uma equipe de administração de classe mundial", disse Xiao.

O acordo da Rio com a Chinalco pode virar contra a antiga interessada na Rio, a rival de maior porte BHP Billiton, que pode fazer uma contraproposta por alguns dos ativos que a Chinalco deve arrematar, publicou o jornal Times em seu site.

A Rio informou que está aberta a ofertas maiores de terceiros.

A companhia planeja usar o dinheiro do acordo para fazer pagamentos antecipados de US$ 8,9 bilhões em dívidas que vencem em outubro e US$ 10 bilhões que expiram no próximo ano.

O analista do UBS Glyn Lawcock, afirmou que as vendas dos ativos foram feitas por um prêmio de 14%.

"Eles eliminaram o problema da dívida pelos próximos anos, o que é positivo. Isso permite a eles seguirem com expansões agora, caso o mercado exija", afirmou o analista.

(Com informações de AFP e Reuters)

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