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13/05/2009 - 16h27

Análise: mudança na poupança não evita investidores e pode causar bolha imobiliária

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo
As mudanças na poupança anunciadas nesta quarta-feira pelo governo brasileiro não devem brecar a migração de recursos para este tipo de investimento e, como consequência, pode gerar um caso de bolha imobiliária similar ao que ocorreu nos Estados Unidos, segundo análise do economista do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), Alexandre Chaia.

Para o economista, com a mudança na poupança, o governo não está resolvendo o problema de fuga da renda fixa, pois os fundos que estão perdendo recursos são os de varejo, que cobram taxas de administração entre 2% e 4% e estão ficando inviáveis em relação à poupança.

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O grande investidor, que possui mais de R$ 1 milhão aplicado, está alocado em fundos de investimento cuja taxa de administração é muito pequena, inferior a 0,5% ao mês, por isso, não tem prejuízo em seus rendimentos e não está interessado em mudar para a poupança, o que não causaria a especulação que o governo argumenta.

"Para o investidor que tem recursos em fundos de bancos de varejo, a queda da taxa Selic e a taxa de administração alta estão fazendo com que o retorno dessa aplicação fique em torno de 6%, o que é menor que o retorno da poupança, então, claro que para ele será melhor migrar", diz.

O problema da "superpopulação" de investidores na poupança é que, por regras do governo, os bancos são obrigados a direcionar 65% dos recursos aplicados nesta modalidade para o crédito imobiliário e, para que este dinheiro não fique parado, a intenção das instituições financeiras é conseguir emprestar o máximo possível.

Supondo que a poupança tenha R$ 10 bilhões de recursos injetados, R$ 6,5 bilhões têm de ir para o financiamento habitacional. "Começa a acumular muitos recursos e, para desafogar, os bancos acabam sendo obrigados a encontrar mecanismos de se livrar desse dinheiro", afirma.

Embora no Brasil exista um déficit habitacional de quase 8 milhões de moradias e a procura por crédito imobiliário sempre tenha sido elevada, com a crise, essa demanda reduziu drasticamente, dificultando a situação dos bancos.

"É aí que começa o risco potencial. O mercado imobiliário está bastante contraído e, para conseguir emprestar todo este dinheiro que está vindo da poupança, os bancos podem começar a afrouxar seus meios de aprovação de crédito", diz.

Se optar por emprestar sem conhecer o histórico de pagamento de seu cliente e comprovação de renda, com juros bem mais baixos que o comum, o risco de crescimento da inadimplência sobe e, portanto, a chance de os bancos não conseguirem reaver o que emprestaram é grande, o que pode acarretar em prejuízos bilionários no futuro, o chamado estouro da bolha imobiliária.

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