O setor de serviços, que hoje está com uma rentabilidade elevada e pressionando a inflação, tem condições de pagar mais impostos e direcionar esse recurso para a indústria, cuja rentabilidade está deteriorada, avalia Roberto Messenberg, Coordenador do GAP (Grupo de Análise e Previsões), do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
Ele chama atenção para o fato de que, no Brasil, a indústria foi o segmento mais atingido pela crise econômica internacional.
Messenberg alerta, ainda, que o setor de serviços, apesar de corresponder a 55% do Produto Interno Bruto (PIB), gera menos receita para o governo do que indústria, segmento que tem participação de apenas 23% no PIB.
"Temos que nos preocupar com a indústria. O resto está indo. A balança comercial vai crescer, o consumo vai se manter, só que vamos crescer com base no setor de serviços, enquanto a industria vai se tornar cada vez mais problemática para efeito de expansão da economia brasileira", analisa Messenberg.
Ele ressalta que, em situações como a que a indústria vive hoje, surgem normalmente propostas para desvalorizar o real. No entanto, no atual momento, isso pode gerar inflação. "Se você desvaloriza o câmbio, isso vai se repassar para preços, sendo que a inflação de serviços já está muito acima da inflação média na economia".