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18/09/2009 - 10h00

Região Norte é a que mais se desenvolve no país, mostra IBGE

Sílvio Guedes Crespo

Em Sâo Paulo
A região Norte do Brasil foi a que mais se desenvolveu em 2008 na maior parte dos indicadores econômicos, mostram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Uma leitura rápida dos dados pode dar a entender que o Norte não teve um bom desempenho econômico porque, no quesito renda, a região apresentou a pior evolução.


A renda média dos moradores na região Norte praticamente não mudou de 2007 para 2008, passando de R$ 843 para R$ 844. Enquanto isso, no Nordeste ela avançou 5,4% (de R$ 650 para R$ 685) e no Brasil todo, 1,7% (de R$ 1.019 para 1.036).

No entanto, a região Norte foi a que teve maior aumento do emprego (4,2%), o que significa que, em conjunto, seus habitantes ganharam renda.

A queda individual ocorreu possivelmente porque a região foi a única em que aumentou o número de trabalhadores com um a três anos de estudos. Ou seja, entraram no mercado de trabalho local 37 mil pessoas quase sem qualificação (e, portanto, com salários baixos, fazendo cair a média de renda da população ocupada).

Mesmo tendo sido destaque em 2008, o Norte continua entre as áreas menos desenvolvidas porque partiu de uma base bem mais baixa que a média nacional.

Veja abaixo alguns indicadores que mostram que o Norte foi a região que mais se desenvolveu no ano passado.

  • O número de pessoas de dez anos de idade ou mais que tinham uma ocupação aumentou 2,8% no Brasil no ano passado, somando 92,4 milhões de indivíduos. No total, 2,5 milhões de pessoas entraram nesse grupo em 2008.

    Na região Norte, o aumento foi de 4,2%, de 6,6 milhões para 6,9 milhões. Sudeste teve a segunda maior alta, de 3,5%, para 39,4 milhões. Em seguida vêm Centro-Oeste (3,2%, para 6,9 milhões), Nordeste (2,5%, para 24,5 milhões) e Sul (0,5%, para 14,7 milhões).




  • O contingente de trabalhadores com 11 anos de estudos ou mais disparou no Norte (11,9%) e no Nordeste (11,2%). No Brasil, o crescimento foi de 8,5%, para um total de 38,1 milhões de trabalhadores qualificados.

    A região Sudeste, onde se concentra o maior número de pessoas ocupadas com essa qualificação (19,1 milhões de indivíduos nessas condições), o crescimento foi de 7%. No Centro-Oeste, o aumento foi de 9,7%, e no Sul, de 8,3%.



  • Também no quesito emprego com carteira assinada, o Norte do país registrou o maior percentual de aumento (13,9%), enquanto a média nacional ficou em 6,6%. Mesmo assim, apenas 23,8% dos trabalhadores nortistas têm emprego formal, enquanto no Sudeste o percentual é de 46,2%, e a média nacional está em 36,4%.

    O número de trabalhadores formais no Nordeste subiu 7,4%; no Sudeste, o aumento foi de 6,4%; no Centro-Oeste, de 6,1%, e, no Sul, de 4,9%.


  • O setor em que mais aumentou, em termos percentuais, o número de trabalhadores foi o da construção civil. A alta no país todo foi de 14,1% (de 6,1 milhões de pessoas para 6,9 milhões). No Norte, o aumento foi de quase 20% (para 567 mil).

    Os setores que têm mais trabalhadores no país, embora não tenham crescido tanto, são a agricultura e o que o IBGE chama de comércio e reparação, cada um com 16,1 milhões de trabalhadores. Em terceiro vem a indústria (14 milhões).


  • O índice de Gini, padrão internacional para medição da distribuição de renda, caiu 0,7% no Brasil, o que significa redução na desigualdade. O indicador recuou no Norte (1,9%) e Sul (1,4%), ficando praticamente estável nas demais regiões.

    Com isso, a região Norte passou a ser, ao lado do Sul, a região menos desigual, com o índice marcando 0,498 ponto, Em seguida vêm Sudeste (0,507), Nordeste (0,539) e Centro-Oeste (0,567). A média do país é de 0,531. Quanto maior o número, maior a desigualdade.


  • Como consequência do aumento do número de trabalhadores formais, elevou-se em 5,9% o contingente de pessoas que contribuem para a previdência pública no Brasil. A região Norte novamente foi o destaque de alta (12,3%), seguida por Nordeste (8,3%), Sudeste (5,8%), Centro-Oeste (5,4%) e Sul (2,5%).

    O país tem hoje, no total, 48,1 milhões de pessoas que contribuem para a Previdência, e 44,2 milhões que não contribuem. Em termos percentuais, 52,1% participam da aposentadoria pública enquanto 47,9% não o fazem.


  • O acesso à rede de água, um item básico de infraestrutura, aumentou fortemente (8,8%) no Norte do país, bem acima da média nacional (4,1%). Com isso, a região diminuiu um pouco a sua defasagem nesse quesito. No ano passado, 58,3% dos domicílios nortistas estavam ligados à rede de água (a média do país é de 83,9%).

    O Sudeste tem hoje 91,8% dos seus domicílios atendidos com rede de água. No Sul, essa proporção é de 84,1%; no Centro-Oeste, 81,3%; no Nordeste, 78%.



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