15/01/2008 - 17h31
Citigroup e Merril Lynch se capitalizam com investimentos asiáticos

NOVA YORK, 15 Jan 2008 (AFP) - Vítimas da crise dos créditos imobiliários, o banco americano Citigroup, que acaba de sofrer fortes perdas, e seu rival Merril Lynch, que anunciará seus prejuízos na quinta-feira, se dispõem a se capitalizar cada vez mais com investidores asiáticos.
O Citigroup, principal banco americano em termos de ativos, perdeu cerca de 10 bilhões de dólares no quarto trimestre, sua primeira privação desde que foi criado em 1988 com a fusão do Citicorp com o Traveler's Group da família Weill.
O banco havia sido obrigado a desvalorizar sua carteira de ativos em 18,1 bilhões de dólares, refletindo a perda de valor de seus créditos hipotecários.
O prejuízo foi considerado duas vezes maior que a esperado pelos mercados, que fizeram cair seus papéis na bolsa nesta terça-feira e levou à agência de classificação de riscos Standard and Poor's a rebaixar sua nota.
Ainda mais preocupante é o fato de as perdas do Citigroup terem sido incrementadas em 3,3 bilhões de dólares por créditos duvidosos concedidos para o consumo, um setor em que aumentou a inadimplência.
Para atenuar o impacto dessas perdas, o Citigroup anunciou ter obtido 12,5 bilhões de dólares em dinheiro fresco, vendendo ações a um grupo de investidores, em maioria estrangeiros, em uma operação privada.
O principal investidor foi o fundo do governo de Cingapura, que aportou 6,8 bilhões de dólares e adquiriu desta forma 4% do capital do banco. Esse mesmo fundo já havia capitalizado a Union de Banques Suisses por 10 bilhões de dólares em dezembro.
Os outros importantes provedores de liquidez são o fundo soberano do Kuwait (Kuwait Investment Authority) e o príncipe saudita al-Walid bin Talal, que já era o principal investidor individual do banco.
Figuram também a divisão de investimentos de New Jersey, os fundos de investimento Capital Research Global Investors, Capital World Investors, assim como seu ex-presidente Sanford Weill e sua família, que marca sua confiança no novo presidente, Vikram Pandit, que chegou ao cargo em dezembro.
O Citigroup completou seu financiamento com o anúncio de uma emissão de ações na bolsa por um montante de 2 bilhões de dólares.
Trata-se do segundo plano de recapitalização em três meses: no final de novembro, o banco já havia obtido 7,5 bilhões de dólares de Abu Dhabi, que havia incorporado assim 4,9% de seu capital.
Para reduzir custos, o banco decidiu além de reduzir em 40% seus dividendos trimestrais, vender ativos e endurecer suas condições de concessão de empréstimos, além de reduzir os efetivos em 4.200 pessoas no quarto semestre.
Por sua vez, o banco Merrill Lynch, que publica seus resultados na quinta-feira com perdas previstas em bilhões de dólares, anunciou nesta terça-feira uma injeção de 6,6 bilhões de dólares, provindos do fundo sul-coreano Korean Investment Corporation, do fundo do Kwait Investment Authority e do banco japonês Mizuho Corporate Bank.
Para o Merrill Lynch, trata-se de uma segunda rodada de refinanciamento. Em dezembro, o banco já havia se recapitalizado com um fundo de Cingapura, o Temasek, com 5 bilhões de dólares e com o administrador americano de fundos Davis, por 1,2 bilhões de dólares.
Os acionistas do Citigroup já começaram a protestar: nesta terça-feira, o CtW Investment Group, que assessora grandes fundos de pensão, pediu explicações a cinco administradores do Citigroup.
Os mercados também estão apreensivos porque o consumo nos Estados Unidos parece diminuir, com vendas no varejo que caíram 0,4% em dezembro, no maior retrocesso em seis meses.
"A questão é saber se o pior para o banco já passou ou não", resumiu Patrick O'Hare, da Briefing.com.