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23/01/2008 - 11h50

Petrobras combate em Davos protecionismo do etanol

DAVOS, Suíça, 23 Jan 2008 (AFP) - A Petrobras aproveita o Fórum Econômico Mundial de Davos para combater o protecionismo de Estados Unidos, Europa e Japão que limita as exportações de etanol brasileiro, disse nesta quarta-feira à AFP seu diretor financeiro, Almir Barbassa.

"Nosso principal desafio é o protecionismo, especialmente nos Estados Unidos, nos países europeus, inclusive no Japão. Estamos esperando a modificação de uma lei japonesa que reduz os impostos para a importação de etanol", disse Barbassa antes do início da reunião anual da elite econômica e política mundial nas montanhas suíças.

"Se o mundo exige menos gases causadores do efeito estufa, deve criar mais espaço para a utilização de etanol", afirmou o executivo.

O Brasil produz etanol a partir da cana-de-açúcar, utilizado puro ou misturado em torno de 25% com gasolina em seus veículos equipados com motores "flexfuel", que representam mais de 80% dos veículos novos que entram em circulação.

O país produzirá em 2008 cerca de 20 bilhões de litros de etanol, principalmente para consumo interno, mas a Petrobras "ainda exporta muito pouco", disse Barbassa.

As exportações de etanol em 2006 foram de 3 a 3,5 bilhões de litros, apenas cerca de 20% da produção total de 16 bilhões de litros, detalhou.

Diante do aumento dos preços mundiais dos alimentos gerados em parte por seu cultivo para a produção de biocombustíveis, Barbassa acredita que não se pode fazer grande coisa.

"Com o preço elevado do petróleo é melhor utilizar a cana-de-açúcar para produzir etanol do que utilizar a cana-de-açúcar para produzir açúcar. Os agricultores têm o direito de fazer o que quiser com suas plantações, é sua decisão, e não dos mercados", afirmou.

Uma das sessões do Fórum de Davos discutirá o aumento da utilização dos biocombustíveis em um contexto de preços elevados do petróleo -que superaram no dia 2 de janeiro os US$ 100 o barril. Abordará, ainda, a necessidade de uma segurança energética maior e o potencial de crescimento dos países subdesenvolvidos.

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