03/07/2008 - 19h50
Petróleo fecha acima dos 145 dólares em Nova York e Londres

NOVA YORK, 3 Jul 2008 (AFP) - Os preços do petróleo terminaram com um novo recorde de fechamento nesta quinta-feira em Nova York e Londres, depois de superar a barreira dos 145 dólares, pela primeira vez em sua história, em meio aos persistentes temores sobre a oferta e à constante desvalorização do dólar.
No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril do West Texas Intermediate (designação do "light sweet crude" negociado nos EUA) para entrega em agosto ganhou 1,72 dólar, para terminar cotado a 145,29 dólares. Durante as operações eletrônicas prévias, a cotação chegou a 145,85 dólares, um recorde absoluto.
Nesta sexta-feira, feriado da Independência americana, apenas as trocas eletrônicas serão realizadas em Nova York.
Em Londres, o barril do tipo Brent do Mar do Norte para entrega em agosto subiu 1,82 dólar, encerrando a 146,08 dólares, também um recorde de fechamento. Durante o pregão, chegou a ser negociado a 146,69 dólares.
O presidente da gigante de gás russa Gazprom, Alexei Miller, disse que o barril pode alcançar os 250 dólares "em breve".
Em um mercado preocupado com as tensões que ameaçam o fornecimento, a disparada foi incentivada nesta quarta-feira por uma queda não prevista dos estoques de petróleo nos Estados Unidos.
O departamento de Energia dos EUA informou sobre uma queda de 2 milhões de barris, a 299,8 milhões de barris, na semana passada, situando os estoques 15,3% abaixo de seu nível de há um ano.
"Essas cifras não são tão altas, mas com os temores sobre a situação no Irã e na Nigéria, o caminho está aberto" para uma alta dos preços, estimou Phil Flynn, da Alaron Trading.
"Os preços subiram até alcançar novos recordes históricos (...), sustentados por uma queda dos estoques petroleiros americanos", disse Kevin Norrish, analista da Barclays Capital.
O ministro saudita do Petróleo, Ali al Naimi, afirmou que seu país, maior produtor de petróleo do mundo, está "preocupado" com a disparada dos preços.
"Sim, estamos preocupados com os elevados preços do petróleo", declarou Naimi durante o XIX Congresso Mundial do Petróleo, que acontece em Madri.
O Irã, quarto maior exportador mundial do produto, propôs na quarta-feira um compromisso negociado sobre seu programa nuclear, ameaçando, por outro lado, com uma dura resposta e uma disparada do petróleo caso seja atacado.
Na Nigéria, a violência crônica que afeta a região do Delta do Níger prejudicou a produção, permitindo a Angola ocupar o posto de primeiro produtor africano nos últimos meses.