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06/11/2008 - 13h56

BCE reduz taxa de juros em meio ponto, para 3,25%

FRANKFURT , Alemanha, 6 Nov 2008 (AFP) - O Banco Central Europeu (BCE) reduziu nesta quinta-feira sua principal taxa de juros em meio ponto percentual, a 3,25% para estimular a economia da zona euro, como antecipava a maioria dos economistas.

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, admitiu a possibilidade de que a instituição proceda em breve a um novo corte da taxa.

"Não posso excluir a possibilidade de novas reduções das taxas de juros", declarou o francês, em entrevista à imprensa.

O BCE também cortou a taxa de depósito, que ficou em 2,75%, e a taxa marginal de créditos (3,75%), num momento em que a zona euro se encaminha para a recessão e as pressões inflacionárias dão sinais de diminuir.

A "taxa de refinanciamento", que determina o nível de crédito para os particulares e as empresas, fica assim em seu nível de outubro de 2006. Esta é a segunda queda em um mês, depois da ação coordenada dos bancos centrais de 8 de outubro.

O gesto do BCE era bastante esperado, em uma economia com problemas e com uma inflação que cai rapidamente por causa da baixa dos preços das matérias-primas.

No entanto, "a perspectiva para a estabilidade dos preços continua melhorando", explicou Trichet. A inflação deve entrar no eixo no decorrer de 2009, disse.

Paralelamente, "o horizonte para a economia é sombrio e a intensificação da crise financeira continua aumentando as incertezas extraordinariamente elevadas sobre o crescimento da zona euro e do mundo inteiro", acrescentou.

O Banco Nacional Suíço (central) também anunciou nesta quinta-feira um corte de sua tasa de referência, a Líbor a três meses, em meio ponto percentual.

A inflação, a principal preocupação do BCE, ainda está elevada, em 3,2%, mas está caindo rapidamente para o objetivo da instituição - pouco menos de 2% -, já que a crise financeira mundial gera uma forte desaceleraçaõ econômica que sufocou a demanda.

A Comissão Européia advertiu nesta semana que a pior crise financeira desde a Grande Depressão levou a zona euro à primeira recessão - dois trimestres consecutivos de contração econômica - desde que foi criado o bloco em 1999.

Os pedidos industriais na Alemanha caíram 8% em setembro em relação a agosto, informou hoje o ministério da Economia, na primeira confirmação de que a maior economia européia foi duramente golpeada pela desaceleração mundial.

Esta foi a maior queda desde a reunificação da Alemanha em outubro de 1990.

O economista-chefe do BCE, Juergen Stark, havia advertido quarta-feira das "dramáticas conseqüências" da crise financeira internacional, em comentários ao jornal Financial Times Deutschland.

"Não podemos comparar a situação atual com as recessões passadas, desta vez é mais sério", disse Stark.

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