09/11/2008 - 15h35
China anuncia pacote de US$ 586 bilhões contra a crise

PEQUIM, 9 Nov 2008 (AFP) - A China anunciou neste domingo um plano de retomada econômica de 4 trilhões de yuans (US$ 586 bilhões) até o fim de 2010, para estimular a demanda interna diante da desaceleração do crescimento do PIB e da estagnação das exportações, devido à crise financeira mundial.
Estas medidas, publicadas no site do gabinete do primeiro-ministro Wen Jiabao, foram adotadas na quarta-feira e estão incluídas no aumento das despesas do Estado, principalmente no setor de infra-estrutura, indicou.
"A China decidiu adotar uma política orçamentária ativa e flexibilizar moderadamente sua política monetária para encorajar um crescimento econômico rápido, mas sustentado, reforçando a demanda interna", disse o comunicado publicado no site oficial.
Este plano responde à queda da demanda mundial de bens manufaturados chineses, motor do crescimento nacional, devido à crise financeira mundial.
A China, cujo setor financeiro é relativamente protegido, está sendo no entanto muito afetada pela crise com um nítido desaquecimento de suas exportações, o que já provocou o fechamento de fábricas no sul e a perda de milhares de empregos.
O crescimento caiu para 9% no terceiro trimestre, seu mais baixo nível em cinco anos. As autoridades disseram diversas vezes que pretendem estimular o consumo interno para manter um crescimento sustentado.
"Apesar de estarmos enfrentando inúmeras dificuldades, o consumo interno continua forte", afirmou o comunicado do governo.
O plano de retomada complementa várias outras medidas adotadas recentemente contra os efeitos da crise mundial.
O Banco central reduziu em outubro suas principais taxas de juros para sustentar o crescimento econômico, pela terceira vez em seis semanas.
O Conselho de estado (governo) também aprovou recentemente um plano de 2 trilhões de yuans para construir novas estradas de ferro daqui a 2020.
Durante a crise asiática de 1997, Pequim adotou uma política similar até 2004, emitindo um montante importante de bônus do Tesouro e aumentando os investimentos públicos.
"A situação econômica que a China enfrenta hoje é bem mais grave do que a de 1998", destacou à AFP Xing Ziqiang, da China International Capital Corp.
"Em 1998, tratava-se apenas de países asiáticos, entre eles rivais da China. Mas desta vez, trata-se de mercados de exportação da China, entre eles EUA e Europa", acrescentou o economista de Pequim.