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27/10/2009 - 13h17

Crédito ao setor privado cai na Eurozona e gera dúvidas sobre recuperação

FRANKFURT, Alemanha, 27 Out 2009 (AFP) - O crédito ao setor privado retrocedeu em setembro na Eurozona, uma situação sem precedentes desde a criação do espaço da moeda única, o que mostra que a recuperação econômica da Europa está cheia de incertezas.

O crédito no setor privado recuou 0,3% em ritmo anual em setembro na Eurozona (16 países da União Europeia), após uma alta 0,1% no mês anterior, anunciou o Banco Central Europeu (BCE).

Esta é a primeira contração do crédito ao setor privado desde a o início da série estatísticas em 1992.

A massa monetária, indicador avançado da inflação, teve alta de 1,8% em setembro na comparação com o mesmo período do ano anterior, em uma clara desaceleração em relação a agosto (+2,6%), segundo dados provisórios.

Os economistas apostavam em uma alta de 2,1%, segundo a agência Dow Jones Newswires.

Em agosto, o crédito teve alta mínima de 0,1% e os economistas esperavam números negativos em setembro.

"Isto reforça as preocupações de que a fragilidade dos empréstimos concedidos pelos bancos contenha a recuperação econômica da Eurozona", afirma o economista Howard Archer, da IHS Global Insight.

"Apesar da economia da Eurozona estar se recuperando com o crescimento no terceiro trimestre de 2009, os problemas de crédito são uma séria desvantagem para a recuperação nos próximos meses", destacou.

Até o momento o BCE havia negado a ideia de uma forte escassez do crédito, enfatizando que a desaceleração da concessão de empréstimos está muito vinculada à fragilidade da demanda.

Segundo este raciocínio, em período de crise as empresas congelam seus investimentos e as pessoas físicas adiam suas grandes compras à espera de uma conjuntura mais favorável.

No entanto, o BCE está preocupado com a reticência dos bancos em fazer empréstimos, ainda mais levando em conta que os apoia de forma generosa colocando a sua disposição dinheiro a taxa historicamente menores de 1%.

As cifras publicadas nesta terça confirmam que o "ciclo do crédito continua sendo a grande interrogação sobre os prazos e a amplitude da crise", enfatizou em um comunicado o banco UniCredit.

Na mesma sintonia, o economista Ben May, do Capital Economics, estimou que "há poucos sinais de uma volta à normalidade no setor bancário europeu".

Esta situação faz pensar que o BCE manterá o status quo sobre suas principais taxas de juros.

A massa monetária, indicador da inflação, progrediu em setembro 1,8% em comparação com o mesmo período do ano anterior, numa clara desaceleração comparada a agosto (+2,6%), segundo cifras provisórias.

Os economistas apostavam numa alta de 2,1%, segundo as consultas da agência Dow Jones Newswires.

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