POLIGNY, França, 27 Out 2009 (AFP) - "Setor estratégico para a França e parte integrante de sua identidade nacional", a agricultura em crise, confrontada à queda dos preços, vai receber uma ajuda de 1,65 bilhão de euros, (cerca de US$ 2,47 bilhões) anunciou nesta terça-feira o presidente Nicolas Sarkozy.
"Vim propor a vocês um plano sem precedentes de apoio excepcional para nossa agricultura que compreende um bilhão em empréstimos bancários e 650 milhões de euros de apoio extra do Estado", disse o presidente francês. Destacou que a taxa de juros dos empréstimos seria vantajosa, de 1,5% ou até de 1% para os jovens agricultores.
Os camponeses franceses passam por uma grande crise, segundo o presidente francês, que escolheu falar sobre o assunto em Poligny, uma região famosa pela grande produção de queijos tipo Comté.
"Não os abandonarei. O combate pela agricultura francesa é estratégico. Só temos uma saída: ganhá-lo", afirmou o presidente.
O setor leiteiro foi o mais recente a ser atingido pela queda das receitas. Antes, eram produtores de frutas e legumes que não conseguiam enfrentar a concorrência de outros países.
Nas últimas semanas, produtores de leite chegaram a realizar inúmeros protestos em toda a França despejando milhões de litros do produto em ruas e campos, alegando prejuízos com a venda.
Segundo Nicolas Sarkozy, os preços da produção agrícola recuaram, correspondendo a 20% da receita, em razão da queda das cotações de commodities no mercado.
"Esta situação é inaceitável", declarou.
A França é considerada a primeira potência agrícola da Europa e também a principal beneficiária da Política Agrícola Comum (PAC) da UE.
A Comissão Europeia anunciou terça-feira esperar "detalhes" do plano francês para ver se respeita ou não as regras da concorrência.
"Não aceito que a agricultura francesa seja dominada pela crise. Não vim anunciar, como outros, um plano de subvenções contrário às regras europeias. Vim propor um plano sem precedentes de ajuda a nossa agricultura", disse o presidente francês.
Para Nicolas Sarkozy, Bruxelas deve também ter a iniciativa de garantir uma "verdadeira regulação do preço das matérias-primas agrícolas". Na crise do leite, que agita a agricultura europeia, a França milita por uma regulação mais estrita da produção e dos preços.
Segundo o presidente francês, a crise do campo francês não deixa de revelar, também, uma carência de regulação europeia e mundial e uma falha nacional real na repartição do valor entre os setores agrícolas.
A ajuda anunciada nesta terça-feira deve permitir a cada agricultor resolver sua situação de caixa e investir.
Mas os agricultores franceses devem, em contrapartida, adaptar seus métodos de produção. "O Estado está com vocês, vamos ajudá-los, mas vocês devem modificar seus métodos de produção. O Estado está com vocês, vamos ajudá-los, mas vocês devem modificar um certo número de falhas em sua organização", afirmou.
A oposição denunciou este plano de "curto prazo", dizendo que traz um discurso "populista muito afastado do que pregou há dois anos".
Sarkozy declarou que o plano será "totalmente aplicado" até o final deste ano.
A principal federação agrícola da França, a FNSEA, reivindicava ações concretas do governo para lutar contra a crise e havia pedido uma ajuda de 2 bilhões de euros.