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29/10/2009 - 13h24

EUA saíram da recessão, segundo estimativa oficial do PIB

WASHINGTON, EUA, 29 Out 2009 (AFP) - Os Estados Unidos saíram tecnicamente da recessão com o crescimento de 3,5% de seu PIB em ritmo anual no terceiro trimestre, segundo a primeira estimativa oficial publicada nesta quinta-feira pelo departamento do Comércio, uma notícia classificada pela Casa Branca de "referência bem-vinda".

Em Washington, o presidente Barack Obama saudou o resultado do PIB, afirmando que é um sinal de que a recessão se dissipa.

Mas o secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, advertiu que a recessão continua viva e é grave, apesar dessa boa notícia após um ano de contração.

Segundo as cifras publicadas nesta quinta-feira, depois de quatro trimestres consecutivos de retrocesso, o Produto Interno Bruto da maior economia mundial progrediu no terceiro trimestre 3,5% em relação ao anterior.

É a maior alta do PIB registrada desde o terceiro trimestre de 2007, marcado pela explosão nos Estados Unidos da bolha dos créditos imobiliários de risco que levou todo o mundo à crise.

Os analistas esperavam um crescimento de 3,2%. As cifras estão, no entanto, sujeitas a uma forte modificaçao no final de novembro, quando for publicada a segunda estimativa de crescimento, com base em dados econômicos mais completos.

A recuperação foi impulsionada pelo consumo interno, que aumentou 3,4%, proporcionando, assim, 2,36 pontos de crescimento ao país.

Motor tradicional da economia americana, o consumo havia desabado no segundo trimestre de 2008, antes de voltar a subir no inverno para cair novamente na primavera.

"Depois de quatro trimestres consecutivos de baixa, um crescimento positivo do PIB é um sinal animador de que a economia americana marcha na direção certa", declarou Christina Romer, presidente do Conselho de Assessores Econômicos da Casa Branca.

Os analistas trabalham, de maneira geral, com uma expectativa de uma nova baixa no quarto trimestre, devido ao índice ainda insatisfatório nos lares ante o aumento contínuo de um desemprego já no mais alto nível dos últimos 26 anos.

Só a produção de automóveis contribuiu para um crescimento de 1,66 ponto no terceiro trimestre (contra 0,19 no segundo).

Os investimentos aumentaram 11,5%, após sete trimestres consecutivos de baixa; só as aplicações destinadas à melhoria da casa própria subiram para 23,4%, após três anos e meio de recuo.

A retomada dos investimentos na casa própria consagra os esforços das autoridades para a recuperação do mercado imobiliário. Os analistas consideram, no entanto, que este setor ainda não saiu do atoleiro.

A redução dos estoques nas empresas (contabilizado como um investimento) contribuiu com 0,94 ponto para o crescimento.

As despesas do Estado e das coletividades locais, que diminuíram seu ritmo para 0,48% (contra 1,33% no trimestre precedente), representaram 0,48 ponto de crescimento.

No entanto, o comércio exterior teve um efeito negativo de 0,53 ponto, com as importações tendo avançado mais fortemente que as exportações.

Os Estados Unidos entraram oficialmente em recessão em dezembro de 2007.

Assinalando as dificuldades que ainda esperam a economia americana, o mais recente relatório sobre a conjuntura do banco central (Fed) revelava no dia 21 de outubro que a economia do país melhorava certamente, mas de maneira fraca e esparsa, segundo os setores de atividade e as regiões.

Já o departamento do Trabalho divulgou que os novos pedidos de seguro desemprego permaneceram quase estáveis durante a semana concluída em 25 de outubro, enquanto os economistas esperavam por uma baixa.

Em dados corrigidos das variações sazonais, estes pedidos semanais retrocederam para 530.000 contra 531.000 na semana anterior.

"O desemprego se mantém inaceitavelmente alto para cada pessoa desempregada, para cada família que enfrenta um despejo, para cada pequena empresa que não consegue crédito. A recessão se mantém viva e aguda", alertou Geithner.

"Mas será necessário um crescimento robusto e sustentável do PIB para que a taxa de desemprego se reduza substancialmente. Tal redução de desemprego é o que temos de conseguir", afirmou, por sua vez, Christina Romer.

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