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29/09/2008 - 07h14

Plano 'não salvará economia', dizem jornais dos EUA

Os principais jornais americanos afirmam nesta segunda-feira que o acordo fechado pelo Congresso em torno do plano de resgate econômico proposto pelo governo George W. Bush não será suficiente para salvar a economia.

Uma análise publicada no "Wall Street Journal" afirma que o pacote pode ajudar a curar os mercados financeiros, mas a ameaça de recessão ainda persiste à medida que "os pilares do crescimento continuam a erodir".

"Os principais sustentáculos do crescimento da economia -gastos dos consumidores, empresas e governo e as exportações- continuam se esfarelando", afirma o diário.

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"A demanda externa por bens americanos, que ajudou o setor industrial a evitar uma desaceleração mais profunda neste ano, deve secar à medida que as maiores economias mundiais flertam com a recessão, e nações de rápida expansão como China e Índia perdem o pulso".

O texto destaca que o pacote de US$ 700 bilhões não resolverá o problema fundamental da crise do setor imobiliário e acredita que o preço dos imóveis continuará caindo.

Analistas ouvidos pelo jornal prevêem que "na melhor das circunstâncias é esperada uma recessão que resultará no aumento da taxa de desemprego no país de 6,1% para 8%".

Incertezas
O jornal "Washington Post" acredita que o pacote "não vai dissipar as incertezas" e ainda não está claro se investidores terão a paciência suficiente para esperar os efeitos do plano.

"Com o processo político quase completo, o trabalho para ajudar os mercados financeiros apenas começou. A decisão mais crítica que deverá ser tomada pelo Tesouro é como fazer para comprar os títulos podres ligados a hipotecas", diz o diário.

"Autoridades dizem que o departamento deverá usar diferentes estratégias para tipos diferentes de papéis em vez de seguir uma fórmula uniforme".

Ainda para o diário americano, se o plano for bem-sucedido, as somas pagas pelo governo se tornarão um novo padrão de mercado, preenchendo o vácuo entre os altos preços procurados pelos bancos e os baixos preços oferecidos pelos investidores.

Uma análise publicada por "The New York Times" afirma que o plano é um passo "significativo e caro" para prevenir uma calamidade econômica, mas "não deve ser o último".

Especialistas ouvidos pelo jornal estimam que outras medidas ainda serão necessárias e haverá muito trabalho a ser feito pelo próximo governo.

Simon Johnson, pesquisador sênior do Fundo Monetário Internacional (FMI) disse ao "NYT" que o conserto da economia vai dominar a agenda do novo presidente pelos próximos dois anos.

Segundo o especialista, o próximo líder dos EUA terá não só de supervisionar a execução do plano, como também guiar a contração e recapitalização da indústria bancária, auxiliar proprietários que enfrentarem dificuldades com os pagamentos de empréstimos imobiliários e "moldar novas políticas para uma nação que será menos acostumada com o crédito fácil e gastos além do limite".

Para o diário financeiro britânico "Financial Times", o pacote de resgate americano poderá "calçar os mercados de capitais ao redor do mundo, mas a confiança do investidor permanecerá frágil".

O diário afirma que um acordo trará certa estabilidade, mas, em âmbito mais amplo, os mercados ainda ficarão contagiados pelas dificuldades da economia americana e um retorno às condições normais "ainda vai levar tempo".

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