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20/10/2009 - 14h37

Dólar sobe e bolsa cai com imposto sobre capital estrangeiro

Diante da cobrança de imposto sobre o capital estrangeiro, que entrou em vigor nesta terça-feira, o dólar apresenta sinais de valorização. Pela manhã, a moeda americana era negociada a R$ 1,74 (para compra), com alta de 1,81%. Por sua vez, o índice Bovespa, da Bolsa de Valores de São Paulo, operava em baixa de mais de 4% no início da tarde. A cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) foi anunciada na segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Os investimentos estrangeiros em bolsa e títulos do governo foram taxados em 2%. O objetivo, segundo o ministro, é evitar um "excesso" de aplicações no Brasil e que é preciso "desestimular a sobrevalorização da moeda brasileira, o que prejudica as exportações e o emprego no país". O economista chefe da LCA Consultores, Braulio Borges, diz que a reação do dólar na manhã desta terça-feira, apesar de expressiva, não deverá se sustentar nas próximas semanas. "O que estamos vendo é uma reação de curto prazo, o que é natural. Não acredito que essa medida seja suficiente para manter esse movimento nas próximas semanas", diz o economista. Ainda de acordo com Borges, a principal consequência da cobrança do IOF sobre capitais estrangeiros será o "aumento da arrecadação". O governo pode aumentar em até R$ 4 bilhões seu caixa, no período de um ano, com a cobrança do imposto. Recuperação O atual ritmo de valorização do real começou em março, mês em que os indicadores econômicos no país mostraram os primeiros sinais de recuperação frente à crise financeira. Com os bons resultados da economia brasileira, investidores estrangeiros voltaram a procurar investimentos no país, sobretudo na bolsa de valores e em títulos públicos. De janeiro a outubro deste ano, as entradas de dólares superaram as saídas em US$ 4,418 bilhões, segundo dados do Banco Central. No mesmo período do ano passado houve déficit de US$ 29,465 bilhões. Esse resultado, somado ao saldo na balança comercial e à entrada de investimentos diretos, aumentaram o volume de dólares em circulação no país, pressionando a cotação da moeda estrangeira para baixo. Tendência Na avaliação do professor de Finanças da FGV-Rio, Ricardo Araújo, "a queda do dólar veio para ficar". "Podemos até ter algumas correções ao longo do caminho, mas o fato é que temos eventos importantes pela frente que vão continuar puxando a cotação da moeda americana para baixo", diz. Entre esses eventos, o professor cita o crescimento econômico do país no próximo ano, além dos investimentos no pré-sal e a Olimpíada de 2016, todos atraindo ainda mais dólares ao Brasil. "Precisamos aprender a conviver com um real mais valorizado", diz. O economista da LCA diz que o controle "efetivo" do câmbio exige "atitudes mais fortes". "Um exemplo é a formação de poupança pública", diz. Uma "sobra" de dinheiro permitiria que o governo financiasse internamente sua dívida, diminuindo a necessidade da entrada de capitais estrangeiros. "Estamos falando de economia, ou seja, redução de gastos. E o governo não parece ter esse tipo de compromisso no momento", diz.

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