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15/01/2008 - 19h55

Brasil assina acordo para exploração de petróleo em Cuba

Havana, 15 jan (EFE)- O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, presidiu hoje, junto ao governante em exercício de Cuba, Raúl Castro, a assinatura de acordos de investimento que confirmam o interesse da Petrobras na exploração de petróleo na ilha.

Ministros de ambos os países, na presença de Lula e Castro, rubricaram acordos nos terrenos de agroalimentação, mineração, saúde, desenvolvimento industrial e biotecnologia, além de memorandos de entendimento entre as estatais Cuba Petróleo (Cupet) e Petrobras.

Os acordos foram assinados minutos depois de Raúl Castro - presidente em exercício de Cuba desde que o líder Fidel Castro delegou provisoriamente seus poderes, em julho de 2006, por conta de uma grave doença - receber oficialmente Lula em cerimônia solene no Palácio da Revolução.

Posteriormente, o diretor-geral do Cupet S.A, Fidel Rivero, e o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, assinaram memorandos para a realização de estudos para exploração e produção de petróleo no Golfo do México.

Foi acertada ainda a realização da análise de viabilidade econômica para a criação de uma fábrica de lubrificantes em Cuba.

"Agora vamos começar a analisar a documentação existente para depois definir, em um tempo de seis meses, onde a Petrobras vai intervir", indicou Rivero em declarações a jornalistas após a assinatura.

Sobre a empresa de lubrificantes, Rivero não descartou que possa funcionar visando a exportação, e assinalou que em cerca de 120 dias já deverá anunciar o conceito da indústria, que será mista.

Atualmente, estão sendo realizados estudos para definir o mercado, os ativos, a tecnologia a utilizar e, a partir daí, determinar o nível de investimento no novo empreendimento.

Os países acertaram também a aprovação, pelo Comitê de Financiamento e Garantia às Exportações (Cofig), do Brasil, de créditos para o financiamento da compra de alimentos, a ampliação e a modernização da usina para a produção de níquel Comandante Che Guevara, além de equipamentos para a área de piscicultura.

Informações sobre o valor dos acordos assinados não foram dadas, embora fontes da delegação brasileira tenham indicado à Agência Efe que a única linha de financiamento já delimitada é a da compra de alimentos.

As outras linhas de crédito ainda não foram demarcadas, e estabeleceram-se como um "quadro de cooperação aberto" que dependerá, para seu desenvolvimento, dos acordos a que podem chegar os dois países.

Os setores turístico, de infra-estrutura viária, indústria açucareira e transporte, ficaram de fora da linha de crédito discutida hoje, embora tenha ficado por escrito o compromisso de vontade da Cofig a analisar novos financiamentos para estes campos.

Um outro acordo estabeleceu a realização de projetos conjuntos com o objetivo de promover o desenvolvimento industrial e ampliar o acesso à informação digital industrial de ambos os países.

Também foram assinados acordos complementares em cooperação científica para o fortalecimento da colaboração no setor de vigilância sanitária e o compartilhamento de informação sobre águas subterrâneas.

Um contrato de licença de patente e transferência de informação técnica do "Interferon alfa 2b"- produto da biotecnologia cubana para o tratamento da hepatite C - também foi assinado.

O presidente brasileiro, que chegou ontem à noite a Havana, começou a jornada de hoje com uma entrevista ao presidente da Assembléia Nacional do Poder Popular (Parlamento), Ricardo Alarcón.

Fontes da delegação brasileira indicaram que ainda não têm informações sobre se haverá um encontro entre Lula e Fidel Castro antes do fim de sua visita oficial à ilha, que deve terminar às 21h (de Brasília).

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