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21/01/2008 - 22h01

Pânico mundial derruba bolsas latino-americanas

Da EFE
As bolsas latino-americanas viveram hoje uma autêntica "segunda-feira negra", dado o pânico que derrubou os principais indicadores regionais depois que o medo de uma recessão afetar a economia americana se alastrou pelo mundo.

A possibilidade de a maior economia do planeta sofrer uma
desaceleração brusca causou um efeito dominó nos mercados mundiais.

As primeiras bolsas a registrarem quedas acentuadas foram as
asiáticas. Em seguida, o clima de pessimismo chegou à Europa, até
que alcançou a América Latina, onde os mercados foram presa fácil
para o nervosismo externo.

As baixas coincidiram com o recesso em Wall Street, onde as
mercados não operaram devido ao feriado de Martin Luther King Jr., o que
deixou as bolsas latino-americanas sem referência e ainda mais
vulneráveis.

Embora os temores de uma recessão nos EUA assustem os mercados há
semanas, o desastre de hoje foi motivado pelo ceticismo dos
investidores da Ásia em relação ao pacote apresentado sexta-feira
pelo presidente americano, George W. Bush, para reaquecer a economia
do país.

Segundo analistas, para a derrubada dos mercados
latino-americanos também contribuiu a redução dos preços das
matérias-primas, principalmente dos minerais, diante das previsões
de que a demanda vai diminuir caso a economia dos EUA pise no freio.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), a mais importante da
América Latina em termos de volume financeiro, foi uma das mais
afetadas pelo pessimismo externo.

Nesta segunda-feira, o Ibovespa despencou 6,6%, para 53.709
pontos, em sua maior queda desde 27 de fevereiro de 2007, quando
sofrera uma desvalorização de 6,63%, também causada por uma onda de
baixas iniciada nos mercados asiáticos.

Segundo analistas, a forte corrente de vendas manteve elevado o
movimento financeiro do mercado paulista, que registrou 196.046
transações, 26,753 bilhões de títulos negociados e um giro de R$
6,117 bilhões.

Também foi acentuada a queda do principal índice da Bolsa de
Comércio de Buenos Aires, o Merval, que recuou 6,27%, para 1.876,87
pontos, seu menor nível nos últimos 14 meses.

"É uma segunda-feira negra. Mas temos que começar a nos acostumar
com as quedas, talvez não com as tão pronunciadas como as de hoje",
disse o analista Jorge Compagnucci sobre o dia no mercado de Buenos
Aires, onde 55 ações caíram e só uma fechou em alta.

Na Bolsa Mexicana de Valores, o Índice de Preços e Cotações (IPC)
acompanhou a tendência mundial, caindo 5,35%, para 25.284,88 pontos.

Ainda no México, os 150 milhões de títulos negociados
movimentaram 4,318 bilhões de pesos (US$ 392 milhões).

Segundo o diretor de análise do Grupo Financeiro Ixe, Carlos
Ponce, a queda de hoje foi apenas um reflexo do "acúmulo de dados
negativos das últimas semanas", decorrente, por sua vez, de "uma
crescente percepção de que o desempenho da economia americana está
pior".

Já na Bolsa de Santiago, o IPSA caiu 5,03%, para 2.427,11 pontos,
depois que as 4.524 operações efetuadas movimentaram 137,886 bilhões
de pesos (US$ 284,30 milhões).

A desvalorização das matérias-primas atingiu especialmente o
Índice Geral da Bolsa de Valores de Lima (IGBVL), que despencou
8,35%, para 13.472,93 pontos.

O setor minerador, que seria um dos mais afetados por uma
recessão nos EUA e tem um grande peso no mercado peruano, registrou
perdas de 9,35% em Lima, o que explica a forte queda da bolsa local.

Quase tão forte quanto à queda do IGBVL foi a do Índice Geral da
Bolsa de Valores da Colômbia (IGBC), que alcançou 8.251,22 pontos
após recuar 7,87%, sua segunda maior baixa na história.

Menos afetadas foram as bolsas de Caracas e de Montevidéu, cujos
indicadores de referência caíram 1,49% e 0,11%, respectivamente,
para 35.966,45 e 2.566,23 pontos.

A evolução dos diferentes mercados latino-americanos hoje foi a
seguinte:

- SÃO PAULO: -6,60% (53.709 pontos)
- MÉXICO: -5,35% (25.284,88)
- BUENOS AIRES: -6,27% (1.876,87)
- SANTIAGO: -5,03% (2.427,11)
- COLÔMBIA: -7,87% (8.251,22)
- LIMA: -8,35% (13.472,93)
- CARACAS: -1,49% (35.966,45)
- MONTEVIDÉU: -0,11% (2.566,23)

Bovespa Fonte: Thomson Reuters

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