13/08/2008 - 09h37
Economia indiana sofre com crise mundial e crescerá apenas 7,7%

Diego A. Agúndez
Nova Délhi, 13 ago (EFE).- O Governo indiano assumiu hoje o
impacto da crise global em sua economia ao anunciar a diminuição em
1 ponto percentual no crescimento do PIB este ano, que atingirá
especialmente o setor agrícola, fonte de renda de 60% de sua
população.
Segundo o relatório do Conselho Assessor Econômico (EAC) do
Governo apresentado hoje ao primeiro-ministro do país, Manmohan
Singh, a economia indiana crescerá 7,7%, em comparação ao 8,7%
anunciado pelo ministro das Finanças P. Chidambaram, quando
apresentou o orçamento em fevereiro e o 9% do ano fiscal anterior.
A realidade econômica do país foi se afastando nos últimos meses
daquele objetivo, com uma desaceleração da atividade econômica em
quase todos os setores, uma inflação crescente e um rendimento
agrícola preocupante.
Segundo o relatório do EAC, a agricultura crescerá apenas 2% por
causa das fracas chuvas de monção da estação úmida e pelo alto nível
de base do ano passado.
A agricultura, fonte de vida da maior parte da população indiana,
cresceu 4,5% no ano fiscal de 2007-2008, 3,8% no anterior e 5,9% em
2005 e em 2006.
"Um crescimento de 2% significa que a tragédia agrícola se
agravará", afirmou a ativista Vandana Shiva, presidente da
organização pró-agricultores Navdania, em conversa com a Agência
Efe.
"Para um desenvolvimento agrícola aceitável precisamos de um
crescimento mínimo de 4%", declarou.
A agricultura indiana cresceu nos últimos anos muito abaixo do
resto dos setores econômicos, o que aumentou a brecha entre a
sociedade urbana e a rural.
Apesar de o EAC comemorar o aumento na produção de grãos,
constatou a diminuição das áreas cultiváveis, a queda do
investimento em infra-estruturas, a deterioração do comércio e a
ausência de inovação tecnológica no setor.
"O Governo indiano não investe o suficiente e também deixa os
camponeses indefesos nas mãos das multinacionais, que lhes impõe
sementes e variedades de cultivo danosas, como o algodão BT, que os
deixam endividados e sem saída", declarou Shiva.
A estagnação da agricultura tem repercussões diretas sobre
milhões de camponeses, que também sofreram nos últimos meses uma
franca deterioração de seu poder aquisitivo por causa da tensão
inflacionária.
A inflação indiana flutua acima de 12%, o que segundo o EAC se
deve ao aumento dos preços internacionais e à queda da oferta
interna, com aumentos apreciáveis no azeite, nos alimentos e nos
bens de consumo.
Em entrevista para agências indianas, o presidente em fim de
mandato do EAC, C. Rangarajan, afirmou que a inflação ainda pode
subir para 13%, quando o objetivo do Banco (central) da Índia era de
5,5% para este ano.
Em seu relatório, o EAC considerou possível que a inflação caia e
fique entre 8% e 9% em março de 2009 caso sejam aplicadas as
políticas corretas.
As informações econômicas negativas se estendem também ao setor
industrial, que segundo a entidade crescerá 7,5%, um ponto abaixo do
crescimento registrado no ano anterior, por causa das quedas do
consumo e da demanda externa.
"A situação é claramente negativa, temos uma desaceleração que se
deve ao contexto geral. Entretanto, não podemos atribuir a culpa de
tudo o que acontece ao Governo. A responsabilidade é coletiva",
declarou à Agência Efe o porta-voz da Associação de Câmaras de
Comércio e Indústria da Índia, Koteshwar Dobhal.
Além disso, não são positivas as informações do setor de
serviços, que crescerá 9,6%, a taxa mais baixa dos últimos quatro
anos e 1,2 ponto percentual a menos que a registrada entre 2007 e
2008.
Estas informações econômicas complicam os últimos meses de
mandato de Singh, que enfrenta o eleitorado em 2009.
Seu Governo deverá dar resposta aos sinais de deterioração
econômica e ajudar a colocar a economia "no caminho correto", para o
que será necessária "uma política monetária ajustada", diz
Rangarajan.