Frankfurt (Alemanha) 5 nov (EFE).- Milhares de funcionários da Opel na Alemanha apoiaram hoje as greves convocadas pelos sindicatos do setor em protesto contra a decisão da General Motors (GM) de cancelar a venda de sua filial europeia.
As mobilizações devem se estender até amanhã e a próxima segunda-feira para outras fábricas na Europa, embora a reação à decisão da matriz americana não tenha sido homogênea.
Na Alemanha, onde a Opel emprega cerca de 25 mil trabalhadores em quatro fábricas - Rüsselsheim, Eisenach, Bochum e Kaisersleutern - a decisão da GM foi interpretada como uma declaração de guerra.
"A GM perdeu o valor mais importante de uma empresa: a credibilidade. Perdeu diante da opinião pública e diante de quem torna a empresa possível: nós, os trabalhadores", afirmou o presidente do comitê de empresa da Opel, Klaus Franz, que apoiou, desde o primeiro momento, pela venda de Opel ao grupo austríaco-canadense Magna.
Diante dos cerca de 10 mil trabalhadores que apoiaram a greve em Rüsselsheim, Franz acrescentou que "a GM quer começar do zero. Nós também e isso significa que todos os sacrifícios que estávamos dispostos a fazer ficam a partir de agora fora de consideração".
"Não vamos renunciar aos pagamentos do Natal para apoiar o saneamento e também não vamos renunciar às altas salariais às quais temos direito", disse.
"A General Motors deve mostrar a cara antes de 30 de novembro, para o Governo alemão e para nós. Esperamos vocês aqui", gritou Franz diante de uma maré de cartazes e do barulho ensurdecedor dos assobios.
"O conceito da GM não é sustentável, não garante nosso futuro", disse Franz, que explicou que só haverá diálogo com a empresa sob condições, entre elas a conversão da Opel em uma sociedade anônima alemã e um novo acordo salarial.