Pequim, 6 nov (EFE).- O Governo chinês chamou hoje de "discriminatórias" as tarifas impostas pelo Governo americano sobre os canos de aço fabricados na China, a maior barreira comercial imposta por Washington contra Pequim, e decidiu abrir uma investigação sobre veículos importados dos Estados Unidos.
"Esperamos que os EUA cumpram os princípios de livre-comércio e de não discriminação em consonância com as leis da Organização Mundial do Comércio (OMC) neste assunto", disse hoje o vice-ministro de Comércio chinês, Yi Xiaozhun, em entrevista coletiva.
O problema fundamental, segundo Yi, é a queda da demanda devido à crise global, e, por causa disso, os EUA deveriam "tomar uma determinação final justa" sobre o conflito.
A medida, aprovada nesta quinta-feira, chega às vésperas da primeira visita à China do presidente americano, Barack Obama, entre os dias 15 e 18 desse mês.
Washington aprovou ontem tarifas antidumping preliminares em uma faixa de entre 36,53% e 99,1% sobre canos de aço chineses usados na extração de petróleo.
Esta é a medida comercial mais forte já aplicada por Washington contra a China, já que afeta exportações chinesas no valor de US$ 3,2 bilhões, segundo dados de 2008 da Administração de Alfândegas chinesa.
O dado de 2008 é três vezes maior do que o do ano anterior. "Trata-se de um grande caso que preocupa profundamente a China", disse Yi.
Em setembro, Obama impôs uma tarifa de 35% sobre os pneus chineses, em um negócio que gira quase US$ 2 bilhões em importações.
O Ministério do Comércio chinês expressou hoje em seu site sua "decidida oposição a estas medidas protecionistas", uma reação suave que procura evitar maiores incômodos durante a visita de Obama.
No entanto, a mesma pasta anunciou hoje uma investigação sobre os carros de passeio importados dos EUA com capacidade para dois ou mais litros de combustível e sobre veículos esportivos.
A Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis (CAAM, sigla em inglês) acusa o Governo dos EUA e o estado americano de Michigan de terem oferecido pelo menos 31 programas de subsídio a seus fabricantes e exportadores e de descumprir as leis impositivas.
O Ministério chinês disse que fez contato com os EUA na terça-feira e tomou a decisão em linha com as leis antidumping da China.