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30/04/2008 - 16h42

Juros futuros fecham em queda, após grau de investimento

São Paulo - Mal concluía a leitura do comunicado do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), que decidiu hoje reduzir a taxa básica de juros americana para 2% ao ano e a do redesconto para 2,25% ao ano, o mercado doméstico se surpreendeu com a notícia de que a nota de risco de crédito (rating) soberano do Brasil foi elevada a grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's.

A reação foi eufórica, com a disparada da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e aceleração dos recuos do dólar e dos juros.

Na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), as taxas passaram o dia em baixa, em movimento técnico de devolução de parte das altas recentes, motivado por informações extra oficiais de que o esperado reajuste nos preços dos combustíveis no mercado interno deve ter impacto moderado sobre a inflação.

No meio da tarde, a decisão do Fed produziu efeito marginal sobre as taxas futuras que, no entanto, aceleraram as baixas nos vencimentos dos contratos de longo prazo, após o anúncio da S&P.

O contrato de depósito interfinanceiro (DI) de janeiro de 2010 (362.043 contratos), que estava em 13,75% ao ano momentos antes do anúncio da S&P, foi à mínima de 13,65% ao ano.

No fechamento, este contrato estava em 13,67% ao ano, de 13,85% ao ano ontem. O DI de janeiro de 2012 (59.252 contratos) derreteu, passando de 13,91% ao ano ontem para 13,63% ao ano hoje, com mínima a 13,6% ao ano. O efeito do grau de investimento foi mais contido nos contratos de vencimento mais próximo. O DI de janeiro de 2009 (202.184 contratos) recuou de 12,82% ao ano ontem para 12,77% ao ano hoje.

A agência de classificação de risco S&P anunciou hoje que elevou a nota de risco de crédito (rating) do Brasil para "BBB-", o que coloca o País no seleto grupo de grau de investimento. O Brasil é o 14º país a receber esta nota pela S&P.

A classificação de risco é uma ferramenta usada pelos investidores estrangeiros na hora de decidir em que país irão colocar suas aplicações. Ela reflete o risco que um país tem de não honrar o pagamento de seus títulos. Quanto melhor é a avaliação, menor é o risco e, portanto, maior é a capacidade do país de atrair investimentos. A partir de um determinado patamar de classificação de risco o país é considerado "grau de investimento". Ou seja, o risco de calote é muito baixo. Muitos fundos de investimento estrangeiro direcionam recursos apenas para países que têm esta classificação.

Apesar da reação imediata ao anúncio histórico da S&P, o mercado continua na expectativa de que o governo anuncie ainda hoje um reajuste nos preços dos combustíveis. Em reunião ontem com o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria adiado a decisão, demonstrando contrariedade com as pressões da estatal para aumentar o preço da gasolina. Entretanto, Lula afirmou que quer uma definição ainda hoje sobre o aumento ou não do preço do combustível no mercado interno. "Não pode passar de hoje", afirmou.

Denise Abarca

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