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14/04/2008 - 12h00

Retrato de petróleo caro e dólar fraco promete mexer com ações da Petrobras

SÃO PAULO - Além de envolver perspectivas em relação à possibilidade de novas descobertas e eficiência operacional, os papéis da Petrobras (PETR3, PETR4) encontram pela frente um retrato de forte valorização dos contratos de petróleo no mercado internacional.

O mercado altamente controlado pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e de sólidas projeções para sua demanda, em meio à busca de pouco sucesso por alternativas energéticas rentáveis, vem sustentando um expressivo rali de preços da commodity.

Na última quarta-feira (9), o valor do barril de petróleo negociado na bolsa mercantil de Nova York quebrou novo recorde intraday, testando o patamar de US$ 112 ao longo da sessão. O avanço expressivo nos preços causa uma impressão positiva a primeira vista sobre os papéis da Petrobras, mas traz consigo ressalvas.

Na avaliação dos analistas do Citigroup,o reflexo favorável desta elevação de cotação no mercado internacional é parcialmente apagada pela estabilidade de preços da gasolina e do diesel no Brasil. A aposta do banco de investimentos é de que o preço do óleo diesel ainda pode avançar 15% ao longo do ano, mas nenhuma alteração é prevista para o valor da gasolina no mercado interno.

Recordes do petróleo tendem a continuar

Um mix de enfraquecimento do dólar, perspectiva de sólida demanda e potencial limitado de evolução da quantidade ofertada sustenta a ampliação das projeções do Citi para o preço da commodity.

Para 2008, a instituição prevê o preço do petróleo a US$ 96 o barril no mercado internacional, acréscimo de 20% sobre as estimativas anteriores. Já para 2009, as estimativas são do produto a US$ 88, valor 17% superior ao projetado anteriormente.

No meio da semana, os analistas da corretora brasileira Link já haviam comentado a questão, ressaltando que o cenário atual praticamente impede aposta contrária à quebra de novos recordes do preço do produto.

A Link enfatizou que mais de 80% das reservas conhecidas estão nas mãos de empresas governamentais e não privadas, ocorrência que também remete à participação marcante da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) na formação de preços do setor.

Como fica a Petrobras neste contexto?

Este contexto tende a mexer forte com os ativos da Petrobras, mas ainda assim, os analistas do Citigroup destacaram que o fluxo de notícias, especialmente em relação a novas descobertas, tende a exercer influência maior sobre as ações da estatal, e a aposta é de que novas jazidas devem ser anunciadas ao longo do ano.

Mas um indicador operacional tende a mostrar grande sensibilidade às oscilações do preço do petróleo no mercado internacional: o Ebitda, ou geração operacional de caixa. A instituição revisou seu modelo de projeções para este dado, incorporando suas expectativas para o cenário dos próximos anos:

Ano Combinação de cenário esperado Impacto na Geração de caixa
2008 Real mais forte + pequeno reajuste na gasolina -3,5%
2009 Real ainda mais forte + elevação no preço do petróleo +5,6%
2010 Real ainda mais forte + petróleo estável -5,4%


Ordinárias a R$ 115?

Para finalizar, o Citi acredita que o momento é para compra das ações ordinárias da Petrobras, e a aposta é dos ativos na casa de R$ 115 ao final do ano.

Caso se concretize, a estimativa mostra potencial de valorização de 21%.

Bovespa Fonte: Thomson Reuters

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