07/05/2008 - 14h56
Impacto direto da alta do diesel na inflação será pequeno; indireto pode pesar

SÃO PAULO - O impacto direto da alta de 15% do diesel nos índices de inflação será pequeno, de acordo com o coordenador do IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), Márcio Nakane.
Por outro lado, o impacto indireto do reajuste poderá pesar no bolso dos consumidores, em caso de aumento das tarifas de transporte coletivo e dos custos do frete de produtos (o que afetaria os mais diversos setores).
Variações em abril
Segundo Nakane, no quarto mês do ano, os preços dos combustíveis variaram pouco - 0,05% para cima, no caso da gasolina, 0,05% para baixo, no do álcool, e 0,18% para cima, no diesel -, o que não deve mudar muito nos próximos meses.
Para se ter uma idéia da pequena participação do diesel no IPC, o coordenador do índice aponta que o peso do álcool é cerca de 100 vezes maior do que o do diesel.
Reajustes autorizados
Na última quarta-feira (30), o governo federal anunciou um reajuste de 10% no preço da gasolina e de 15% no preço do óleo diesel nas refinarias. No entanto, também foi anunciada uma redução na Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) para os combustíveis, a fim de impedir ou minimizar o aumento dos preços aos consumidores.
Anteriormente, o litro da gasolina fornecida pela Petrobras chegava às refinarias a R$ 1, acrescido de R$ 0,28 da Cide. Com o reajuste, a gasolina passou a ser entregue a R$ 1,10. Por outro lado, com a queda da Cide de R$ 0,28 para R$ 0,18, o litro do combustível permanecerá em R$ 1,28 nas refinarias.
No caso do diesel, estima-se que a alta nas bombas fique em torno de 8%. Porém, como a frota de carros a diesel é pequena, mesmo que o produto vendido ao consumidor tenha aumento, o impacto na inflação será reduzido.
Senador também acredita em impacto pequeno
Na opinião do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), o aumento de preços anunciado pela Petrobras para as refinarias não chegará às bombas de gasolina e a elevação prevista para o diesel será pequena, com pouco impacto no preço de fretes e passagens.
"A redução da Cide vai evitar que os distribuidores repassem o aumento da gasolina aos consumidores. Para o diesel, a situação ainda não está definida, mas não haverá um grande impacto", observou.