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12/11/2008 - 15h00

À primeira vista, resultado da Petrobras é só recordes; mas olhar mais atento preocupa

SÃO PAULO - Um lucro recorde de R$ 10,852 bilhões, quase o dobro do reportado em 2007. No acumulado do ano, outro recorde: lucro de R$ 26,56 bilhões, 61% maior com os R$ 16,46 bilhões contabilizados nos nove primeiros meses do ano passado.

Assim veio o resultado da Petrobras (PETR3, PETR4), referente ao terceiro trimestre deste ano e divulgado ao mercado na noite da última terça-feira (11): repleto de cifras expressivas.

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Um olhar mais atento...
Recheado de recordes, à primeira vista, o desempenho da estatal petrolífera não há o que inspirar a não ser otimismo. Mas uma análise mais cuidadosa dos números apresentados sustenta uma leitura oposta. "Estamos decepcionados. Os resultados não são bons como parecem", afirma a equipe do Citi, que não está sozinha, pelo contrário: sua visão aparentemente contraditória é compartilhada por outros analistas.

O primeiro elemento desmistificado pelos analistas é quanto aos expressivos números que distorcem a real realidade por trás dos lucros recordes reportados pela petrolífera. Isto porque os ganhos foram conquistados basicamente em função das variações cambiais, que impactaram positivamente o desempenho da companhia em R$ 3,5 bilhões, dado os ativos detidos no exterior, segundo analistas do JPMorgan.

"Tal efeito positivo compensou a perda provocada pela desvalorização nas dívidas denominadas em dólar", acreditam, por sua vez, os analistas do Banif, para quem "operacionalmente, a Petrobras não foi assim tão bem". O Citi concorda: "A companhia reportou margens operacionais abaixo do esperado em todas as suas divisões de atuação".

Despesas crescem e preocupam
"A margem Ebtida" - geração de caixa sobre a receita líquida - "de apenas 28% no terceiro trimestre do ano não era observada desde meados de 2002 e mostra um crescimento muito forte de alguns custos e despesas que chamam a atenção em um período de queda no preço da commodity e de, consequentemente, menor perspectiva de crescimento de receita no curto prazo", afirma a Ativa.

De fato, a principal razão para o pessimismo dos analistas quanto aos resultados reportados pela estatal é o aumento preocupante nas despesas. "Estamos decepcionados com o aumento de R$ 2,4 bilhões nos custos operacionais da Petrobras, principalmente porque as despesas pareciam terem sido controladas na primeira metade do ano", afirma o Citi.

Segundo o JPMorgan, o forte aumento deve-se aos dispêndios referentes a acordos de reajustes salariais, firmados por volta do meio do ano. Por sua vez, o Unibanco destaca os maiores custos com importação de derivados pela estatal. Por fim, a Ativa ressalta o impacto de multas em termelétricas e da redução das atividades internacionais da empresa.

De qualquer forma, o principal temor do Banif é de que a elevação nas despesas impacte a capacidade da empresa de arcar com os novos investimentos. "Apesar do fluxo de caixa ser suficiente para financiar os investimentos do terceiro trimestre do ano, fica a dúvida se o mesmo será suficiente para fazer face aos novos investimentos no pré-sal", alerta a equipe.

Reação dos mercados
A reação dos mercados simboliza a leitura traçada pelos analistas quanto aos resultados da Petrobras: aparentemente, extremamente positivos; mas ao fundo, números a se preocupar. Após a divulgação dos balanços na noite da última terça-feira, os papéis da petrolífera fecharam o after market com uma alta de 1,63% sobre o valor do fechamento.

Mas a julgar pelo desempenho das ações neste pregão, parece que os investidores realizaram uma análise mais profunda do desempenho trimestral da companhia. Os papéis da Petrobras operam com desvalorização superior a 6%, tanto os ordinários quanto os preferenciais.

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