SÃO PAULO - Depois de recuperar o primeiro lugar no último mês, o setor financeiro aparece novamente no topo da lista dos mais citados nas carteiras recomendadas para novembro, de acordo com o levantamento realizado pela InfoMoney.
Dentre a avaliação de 21 corretoras e bancos de investimento, as ações do segmento receberam o maior número de sugestões. De um total de 207 recomendações, os ativos do setor apareceram em 38 indicações.
Fundamentos e consolidação sustentam liderançaDe um modo geral, os analistas acreditam que os fundamentos macroeconômicos do Brasil devem sustentar a evolução do crédito e, conseqüentemente, a manutenção de fortes resultados entre as instituições financeiras do País, que têm se comportado bem ao longo da crise internacional. Além disso, a expectativa de consolidação no setor voltou a ganhar força com a histórica fusão entre o Itaú e o Unibanco.
Na avaliação do JP Morgan, embora o curto prazo seja incerto, os fundamentos do setor a longo prazo permanecem sólidos. Para justificar, o banco lembra que o acesso da população ao crédito permanece baixo, o nível de capitalização dos bancos vem se concretizando e as taxas de rentabilidade devem permanecer elevadas, mesmo com o menor crescimento das carteiras.
Já com relação à crise financeira internacional, os executivos de alguns dos principais bancos do País têm elogiado os recentes esforços do Banco Central a fim de combater as restrições de liquidez derivadas das tensões externas. Segundo o Unibanco, as instituições brasileiras estão atravessando este momento de contaminação da crise sem grandes seqüelas principalmente devido à solidez do sistema financeiro nacional.
Para encerrar, a fusão entre o Itaú e o Unibanco também é vista de forma favorável. Para os analistas, a operação alimenta rumores sobre a possibilidade de novos movimentos de consolidação no setor financeiro brasileiro. Na opinião de Pedro Galdi, analista da SLW, mais operações do tipo devem ocorrer daqui para frente, com destaque para a proximidade da compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil.
Setor energético se garante pela segurançaCom 36 indicações, os papéis do setor de energia e saneamento figuram pelo segundo mês consecutivo na vice-liderança dentre os mais recomendados. Em meio ao persistente cenário de grande volatilidade dos mercados, os analistas continuam apontando o segmento como ponto de segurança aos investidores.
Entre os fatores que garantem a característica segura da aplicação em papéis do segmento, os especialistas destacam principalmente o crescimento estável, a baixa exposição das empresas às oscilações do dólar e à boa política de dividendos oferecida pela maioria delas.
Para o Unibanco, que estima uma média de 8,3% para o dividend yield (relação entre o dividendo pago por ação e o preço dessa mesma ação) do setor em 2008 e 2009, os investidores devem aumentar suas posições em empresas de energia elétrica e saneamento, que em sua opinião, continuarão se beneficiando de seu caráter fortemente defensivo, das altas taxas de payout e dos preços crescentes de transmissão e geração.
Por fim, os desempenhos operacionais favoráveis e o forte upside deixam os papéis do segmento em evidência. De acordo com o banco de investimentos Merrill Lynch, os fundamentos de médio e longo prazo para o setor são os melhores já vistos na América Latina.
Consumo e Varejo volta ao pódioDepois de cair para o quarto lugar em outubro, o setor de consumo e varejo volta ao pódio com 26 recomendações neste mês. Embora reconheçam o momento delicado para o segmento, os analistas acreditam que as melhores condições do mercado de trabalho e o aumento da renda no Brasil devem sustentar bons níveis de venda entre as empresas nos próximos meses.
Na avaliação do Unibanco, o ambiente econômico, mais especificamente a demanda doméstica, segue suportando as boas estimativas para os papéis de consumo e varejo e sustentando os sólidos resultados. Além disso, o banco afirma que os investidores podem se beneficiar de inegáveis oportunidades no setor que apresentam resiliência contra a crise.
Já para a Fator Corretora, a combinação de crescimento populacional e urbanização, relativa estabilidade econômica e demanda reprimida vem permitindo ao Brasil superar seus obstáculos, como baixa renda per capta e desigualdade social, colocando-o entre as potências emergentes do consumo.
Por fim, com relação à volta dos temores com o avanço dos preços, o Santander afirma que "mesmo estando o consumidor já preocupado com a inflação, o mercado de trabalho ainda está muito apertado e a massa salarial ainda está crescendo - o que deve garantir ao comércio varejista resultados ainda bons nos próximos meses.
Confira o número de recomendações de cada setor:
| Setor |
Recomendações |
Porcentagem |
| Financeiro |
38 |
18,36% |
| Energia e Saneamento |
36 |
17,39% |
| Consumo e Varejo |
26 |
12,56% |
| Mineração |
19 |
9,18% |
| Siderúrgico |
17 |
8,21% |
| Petróleo e Gás |
17 |
8,21% |
| Telecomunicações |
15 |
7,25% |
| Industrial |
14 |
6,76% |
| Transporte |
10 |
4,83% |
| Imobiliário e Construção |
7 |
3,38% |
| Papel e Celulose |
5 |
2,42% |
| Petroquímico |
3 |
1,45% |
| Tecnologia e Informática |
0 |
0,00% |
| Total |
207 |
100% |
As carteiras selecionadas neste mês são de: Ativa, Banif, Bradesco, Citigroup, Coinvalores, Credit Suisse, Fator, Geração Futuro, Itaú, Link, Omar Camargo, Pilla, Planner, Senso, SLW, Socopa, Solidus, Spinelli, UBS Pactual, Unibanco e Win.