SÃO PAULO - Mantendo a tendência verificada nos últimos quatro meses, o setor financeiro aparece novamente no topo da lista dos mais citados nas carteiras recomendadas para fevereiro, conforme mostra levantamento realizado pela InfoMoney.
Dentre a avaliação de 17 corretoras e bancos de investimento para o mês, as ações do segmento aparecem com o maior número de sugestões. De um total de 160 indicações, 31 são para ativos do setor, quase 20% das indicações.
Bancos com bom posicionamentoDe um modo geral, os analistas elogiam os sólidos fundamentos e os bons níveis de capitalização dos bancos brasileiros, que também contam com um sistema muito bem regulado. Além disso, destacam de forma favorável a postura resiliente do setor frente à crise e a expectativa de consolidação entre as instituições.
A Socopa, por exemplo, afirma que as instituições bancárias do Brasil são bem fundamentadas, capitalizadas e reguladas, podendo aguentar a carência de crédito no exterior. Em adição, lembra que medidas de estímulo à liquidez já estão sendo providenciadas pelo Banco Central.
Neste sentido, a Ativa avalia que os bancos do País estão bem posicionados para enfrentar a crise, pois, além da baixa alavancagem e nenhum vínculo com o subprime, o controle acionário estrangeiro no setor é de apenas 20%. Paralelamente, a SLW vê com otimismo a possibilidade da melhora do cenário internacional para o setor com o anúncio da ajuda do governo norte-americano.
Partindo para outra premissa, a expectativa de consolidação no segmento é grande com a histórica fusão entre o Itaú e o Unibanco e com a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, vistas de forma favorável pelos analistas. No entanto, vale ressaltar a visão do JP Morgan de que estes eventos prejudicarão os resultados das instituições já a partir do quarto trimestre de 2008.
Cabe destacar ainda que o setor é um dos mais atrativos do ponto de vista de múltiplos, aproveitando-se do atual cenário para se manter com boa rentabilidade. Para a Ativa, os bancos brasileiros estão bastante descontados em relação aos anos anteriores, ao passo que devem voltar aos patamares justos com a passagem da crise.
Elétricas se beneficiam de caráter defensivoCom 26 indicações, os papéis do setor de energia e saneamento figuram pelo quarto mês consecutivo na vice-liderança dentre os mais recomendados. Frente ao cenário de forte volatilidade nos mercados, os analistas continuam destacando o segmento como um dos mais defensivos aos investidores.
Em relatório publicado no início do mês, a Fitch destacou a posição favorável das elétricas latinas para enfrentar a crise, devido às suas recentes melhorias financeiras e de liquidez. "Nos últimos anos, as empresas do setor têm melhorado significativamente sua posição de liquidez, reduzindo de forma considerável a alavancagem e fortalecendo o perfil da sua dívida", afirmou a agência.
Também contribuindo para o caráter defensivo, o Unibanco afirma que a política de dividendos adotada pelas empresas do segmento chama atenção devido às suas regularidades e aos seus expressivos rendimentos. "Nas últimas semanas nós testemunhamos muitos investidores buscando por sugestão para esse tipo de benefício", defendeu.
Por fim, os desempenhos operacionais favoráveis e o forte potencial de valorização deixam os papéis do segmento em evidência. Segundo a Merrill Lynch, os fundamentos de médio e longo prazo para o setor são os melhores já vistos na América Latina.
Varejistas em busca da recuperaçãoCom 22 recomendações nas carteiras de fevereiro, o setor de consumo e varejo aparece na terceira colocação também pelo quarto mês consecutivo. Mesmo reconhecendo o momento delicado para o segmento, os analistas seguem confiantes na capacidade das empresas sustentarem os bons níveis de venda durante os próximos anos.
Para o Citigroup, as varejistas devem entrar em 2009 somente analisando a conjuntura econômica, de olho no nível de consumo dos brasileiros e nas condições de crédito, atualmente deterioradas com a crise que assola o mundo. Caso o ano seja bom para as empresas, o banco acredita que elas deverão investir na expansão orgânica, ou seja, aumentar o número de lojas para alavancar as vendas.
A Ágora, por sua vez, afirma que, mesmo com a perspectiva de um "cenário desafiador" para o varejo em 2009, especialmente no primeiro semestre - devido ao desaquecimento na atividade econômica, recuo do crédito e da confiança do consumidor, assim como aumento dos níveis de desemprego e de inadimplência - ainda existem boas oportunidades de investimento no setor.
Já com relação à volta dos temores com o avanço dos preços, o Santander afirma que "mesmo estando o consumidor já preocupado com a inflação, o mercado de trabalho ainda está muito apertado e a massa salarial ainda está crescendo - o que deve garantir ao comércio varejista resultados ainda bons nos próximos meses.
Confira o número de recomendações de cada setor:
| Setor |
Recomendações |
Porcentagem |
| Financeiro |
31 |
19,38% |
| Energia e Saneamento |
26 |
16,25% |
| Consumo e Varejo |
22 |
13,75% |
| Mineração |
17 |
10,63% |
| Petróleo e Gás |
17 |
10,63% |
| Siderúrgico |
15 |
9,38% |
| Telecomunicações |
13 |
8,13% |
| Industrial |
8 |
5,00% |
| Transporte |
6 |
3,75% |
| Papel e Celulose |
2 |
1,25% |
| Petroquímico |
2 |
1,25% |
| Imobiliário |
1 |
0,63% |
| Tecnologia e Informática |
0 |
0,00% |
| Total |
160 |
100% |
As carteiras selecionadas neste mês são de: Ágora, Amaril Franklin, Ativa, BB Investimentos, Coinvalores, Fator, Geração Futuro, HSBC, Omar Camargo, Planner, Senso, SLW, Socopa, Spinelli, UBS Pactual, Unibanco e Win.