SÃO PAULO - A poupança fechou o mês de outubro com saldo acima de R$ 300 bilhões, patamar alcançado pela primeira vez na história, de acordo com dados do Banco Central, que apura informações das cadernetas desde janeiro de 1995.
De acordo com a professora da FGV (Fundação Getulio Vargas), Myrian Lund, um fato que contribuiu para o alcance da meta foi o governo ter deixado em "stand by" a questão da tributação em 22,5% dos rendimentos das cadernetas com recursos acima de R$ 50 mil, que passaria a valer a partir do próximo ano, dependendo da aprovação no Congresso.
"O fato de ter esfriado a discussão sobre a cobrança de Imposto de Renda estimulou o resultado", afirmou.
Melhor investimento O saldo ainda foi alcançado devido à competitividade que a poupança apresentou frente aos seus concorrentes diretos, que são os fundos de curto prazo e DI.
"Ela continua a ser o melhor investimento para o pequeno e médio investidor, já que tem ganhado dos fundos DI e de curto prazo. O grande concorrente dela é o CDB, quando rende mais de 90% do CDI, mas as pessoas não têm conhecimento da aplicação e acabam indo para a poupança", destacou.
Já para o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite, o fato de o rendimento da poupança ser atraente frente aos fundos foi determinante para o alcance do saldo de R$ 302,45 bilhões em outubro. "Só a partir do momento que a Selic começa a subir é que o investidor vai para a renda fixa", explicou.
Saldos e depósitos No mês de outubro, a captação líquida da poupança foi de R$ 1,042 bilhões, a menor registrada desde abril deste ano, quando ficou negativa em R$ 941,5 milhões.
De acordo com Alcides, o movimento parece ser normal e não resultado de uma migração para outros produtos financeiros. Myrian concorda: "É o próprio fluxo, não vejo justificativa maior, porque ela continua sendo melhor que os fundos".