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28/11/2007 - 10h18

UE e China criam grupo para debater câmbio da moeda chinesa

Pequim, 28 nov (Lusa) - A União Européia (UE) anunciou nesta quarta-feira a criação de um grupo de trabalho com a China para debater política financeira, em ocasião em que Bruxelas tenta pressionar Pequim a valorizar o iuane frente ao euro.

Jean-Claude Trichet, presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Juncker, presidente do grupo dos ministros de Economia da Zona Euro, e Joaquín Almunia, comissário europeu para Assuntos Econômicos e Monetários, anunciaram nesta quarta-feira a criação do grupo de trabalho que reunirá o Banco Central Europeu e o Banco Popular da China (banco central do país).

"A aceleração da valorização da moeda chinesa contra o euro é um meio para cumprir as orientações que o governo chinês decidiu. É do interesse da China e da economia internacional", disse Jean-Claude Trichet, em entrevista coletiva em Pequim.

"Estou contente por termos criado um grupo de trabalho para refletir sobre estes diversos temas", acrescentou Trichet, explicando à Agência Lusa no final da coletiva que "falta ainda decidir a forma de funcionamento desse grupo de trabalho com Zhou Xiaochuan, o diretor do banco central chinês".

O anúncio da criação do grupo de trabalho foi feito enquanto acontecia em Pequim a cúpula UE-China, presidida do lado europeu pelo primeiro-ministro português, José Sócrates, e na qual a Europa pressionou a China para valorizar a taxa de câmbio do iuane.

Desde meados de 2005, o iuane caiu cerca de 8% em relação ao euro, disse Joaquín Almunia - um desequilíbrio que Bruxelas encara como uma das principais razões do crescente déficit comercial europeu com a China, ao tornar mais baratas as exportações chinesas e mais caras as exportações européias.

"O fato de o iuane ter perdido valor contra o euro e valorizado contra o dólar poderá levar a tendências protecionistas na Europa", avisou na entrevista coletiva Jean-Claude Juncker, repetindo declarações feitas na terça-feira por José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Européia (braço executivo da UE).

Na terça, em declarações exclusivas à Agência Lusa, Durão Barroso anunciou o interesse europeu em criar um mecanismo de diálogo de alto nível com a China em matéria financeira.

Trichet, Juncker e Almunia se encontraram na terça-feira com Zhou Xiaochuan e se reuniram nesta quarta com o ministro chinês da Economia, Xie Xuren, e com o primeiro-ministro, Wen Jiabao, a quem demonstraram o incômodo de Bruxelas ao ver o iuane se desvalorizar na comparação com o euro e subir cerca de 10% frente ao dólar desde 2005.

O déficit comercial europeu com a China foi de 86 bilhões de euros (R$ 235,9 bilhões) só nos primeiros sete meses de 2007, contra 130 bilhões de euros (R$ 356,59 bilhões) em 2006, registrando um crescimento médio de aproximadamente 23%.

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