30/01/2008 - 11h06
Crise na pecuária lusa pode levar produtores à falência

Lisboa, 30 jan (Lusa) - Produtores de gado portugueses estão em risco de falência devido ao aumento de preço dos cereais, que faz os representantes do setor afirmarem que vivem uma crise maior do que a da doença das vacas loucas.
"A situação dos engordadores de carne bovina é terrível, é dramática. O custo da ração praticamente duplicou em dois anos", afirmou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Engordadores de Bovino (ANEB), que realiza quinta-feira no Vale de Santarém um encontro para debater a situação do setor.
O responsável explicou que tem sido impossível fazer repercutir no preço da carne o custo da alimentação dos animais, havendo produtores que estão mesmo a vender os animais já com prejuízo.
Rodrigues da Silva exemplifica que a ração para alimentar um bezerro com cerca de 600 quilos de carcaça bruta custa atualmente 207 euros a mais (R$ 544) do que há dois anos.
"É absolutamente indispensável que o preço da carne suba ou que o preço dos cereais para as rações desça. Caso isso não aconteça, os produtores serão forçados a desistir, com todas as conseqüências para as famílias e para o país", afirmou.
Esta crise é resultado essencialmente do aumento do preço dos cereais, que é em parte causada pelo desenvolvimento dos biocombustíveis, o que leva os produtores de bovino a considerarem que a situação "não tem um fim à vista".
Como exemplo, o presidente da ANEB aponta que um quilo de cevada estava a 13 (R$ 0,34) centavos de euros em 2006 e que no final do ano passado já se situava nos 27 centavos (R$ 0,70).
"Estamos piores do que durante a crise da BSE (encefalopatia espongiforme bovina, designada por doença das vacas loucas). Nessa crise sabíamos que havia uma solução, aqui não vemos um fim à vista", declarou Rodrigues da Silva.
"É muito grave a situação que se está a viver em toda a pecuária intensiva. Estamos diante de um problema estrutural e não conjuntural, porque o preço dos cereais continuará a subir", acrescentou.
Apesar de ainda não haver situações reais de falência, o presidente da ANEB garante que a grande maioria dos seus 200 associados está numa situação de risco.