19/11/2008 - 11h21
Lei em Macau é dura, mas não impede lavagem, diz órgão

Macau, China, 19 nov (Lusa) - A legislação de Macau para a área de seguros "é muito conservadora", mas não existem mecanismos para prevenir totalmente a lavagem de dinheiro, disse nesta quarta-feira António Félix Pontes, diretor da Autoridade Monetária local.
Félix Pontes afirmou que é o ramo vida o mais vulnerável ao crime, mas lembrou que qualquer tentativa nesse setor só seria tentada caso não existissem outras alternativas.
Ele também revelou que das 13 operações suspeitas identificadas pelas seguradoras relativas a movimentos de cidadãos residentes na China, nenhuma foi confirmada como lavagem de dinheiro.
O diretor apontou as casas de penhores, os cassinos e o setor imobiliário como locais mais atrativos para lavagem de dinheiro pelas grandes quantidades de divisas movimentadas, mas frisa que essa é uma questão global, recusando-se a falar especificamente sobre Macau.
Félix Pontes recordou também que a legislação de Macau obriga as seguradoras a caucionarem ativos de acordo com as suas responsabilidades, que só podem ser movimentados com autorização do órgão regulador, legislação que permite "garantir os investimentos dos tomadores de seguros".
"Isso ficou recentemente comprovado com os problemas na [seguradora] AIA que em Macau tinha mais disponibilidades em capital e ativos do que responsabilidades perante os segurados", explicou.
Crise
Sobre a crise financeira mundial, Félix Pontes disse que Macau, como todos os outros países e territórios do mundo, "não ficará imune", que o desemprego "vai aumentar".
Ele também acredita que a crise financeira se vai prolongar até 2010 e que será em 2009 que os efeitos mais negativos em Macau.