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07/01/2009 - 11h07

Crise pode aumentar protestos na China, dizem especialistas

Pequim, 7 jan (Lusa) - Sociólogos, analistas políticos e jornalistas chineses estão admitindo abertamente um aumento dos protestos populares na China em 2009, devido à subida do desemprego e outros efeitos da crise financeira global.

"O descontentado pode facilmente disparar e suscitar conflitos de massas", alerta a última edição da revista semanal Panorama, publicada pela agência noticiosa oficial, utilizando o eufemismo com que o Partido Comunista Chinês costuma descrever os protestos populares.

Um porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Qin Gang, procura, contudo, minimizar as preocupações acerca da estabilidade social no país.

"Temos a capacidade e confiança para assegurar o estável e relativamente rápido crescimento econômico da China e para assegurar a estabilidade social", diz Gang.

Num tom considerado franco, e repetido pelo jornal da Juventude Comunista, a revista Panorama frisa que "a falência de empresas, demissões e disputas trabalhistas aumentaram significativamente" durante o segundo semestre de 2008, "impulsionando um aumento dos incidentes de massas".

"Incidentes de massas estão a rebentar por toda a China, enquanto manifestantes lutam para defender os seus direitos", escreveu o diretor de um instituto de pesquisa da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Yu Jianrong, num artigo intitulado "Cólera nas Ruas".

No mesmo artigo, publicado na edição especial da revista Caijing sobre "As Previsões e Estratégias para 2009", o pesquisador é categórico: "Podemos esperar muito mais protestos populares".

Jianrong aponta que o número de "incidentes de massas" na China subiu de 10 mil, em 1994, para 74 mil uma década mais tarde e, em 2006, chegou a 90 mil.

"Desde então, o governo não divulgou mais estatísticas, mas 2008 foi, claramente, um grande ano de protestos públicos", acrescenta.

Em alguns casos relatados na imprensa oficial, os manifestantes atacaram viaturas e instalações do governo.

Desemprego

Oficialmente, o índice de desemprego mantém-se nos 4%, mas as estatísticas chinesas nesta área não costumam incluir as dezenas de milhões de trabalhadores migrantes que trabalham na construção civil e em muitas indústrias exportadoras do litoral.

No primeiro semestre do ano fecharam 67 mil empresas no sul da China, como fabricantes de brinquedos que ficaram sem encomendas dos Estados Unidos e de outros países ocidentais.

Segundo prevê o Banco Mundial, o crescimento da economia chinesa em 2009 descerá para 7,5%, menos 4,4 pontos percentuais do que o ano passado e o mais baixo desde 1990.

A última vez que o PIB chinês cresceu abaixo dos 7,5% foi em 1990, um ano após a sangrenta repressão do movimento pró-democracia da Praça da Paz Celestial, que isolou internacionalmente o país.

Naquele ano, a economia chinesa subiu apenas 3,8%, mas desde então manteve um crescimento médio anual de 9,5%.

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