04/07/2009 - 10h43
Agricultura resiste à crise, afirma ministro português

Faro, 4 jul (Lusa) - O setor agrícola "é o que está a resistir mais à crise" afirmou à Agência Lusa o ministro português da Agricultura, Jaime Silva, após uma visita a uma empresa de produção de saladas embaladas, em Almancil, no sul de Portugal.
Dando o exemplo concreto da empresa que acabara de visitar, o ministro explicou que a Vitacress, "apesar da forte crise na Espanha, conseguiu aumentar as exportações em 22%".
O agrião, que é plantado em enormes tanques e precisa crescer em um ambiente semi-aquático, é depois sujeito a um rígido controle de qualidade e embalado em sacos de plástico, pronto para ser consumido.
A Vitacress, que pertence ao grupo RAR, com sede no Porto, com um volume de negócio anual de 800 milhões de euros (R$ 217 milhões), produz anualmente mil toneladas de agrião, quase totalmente para os mercados ibérico e britânico.
Jaime Silva disse ter ficado surpreendido com a sofisticação e competitividade daquela plantação agrícola intensiva, salientando o fato de estarem sendo utilizadas "as técnicas mais modernas da reutilização da água", com uma taxa de 96% de reutilização.
"É notável, uma eficiência do uso da água, todo o sistema de nivelamento e impermeabilização do terreno, do mais moderno que há no mundo", disse.
O ministro explicou que decidiu fazer esta visita porque queria conhecer um investimento de sucesso que "gostaria de ver repetido pelo país, também porque criam muito emprego".
Projetos
O Ministério luso da Agricultura tem já 20 milhões de projetos aprovados para o setor, mas o objetivo é disponibilizar "200 milhões de euros até 2015, dinheiro que está reservado para o Algarve".
A visita foi também simbólica com o objetivo de mostrar que, "contrariamente ao que se diz, os projetos estão a ser aprovados, os contratos assinados e o dinheiro está a chegar aos agricultores".
"Vou conseguir o objetivo, claro que sim, nós estamos, em termos de utilização de verbas, de candidaturas aprovadas e em termos de dinheiro comprometido, a meio da tabela na União Europeia, e estamos à frente da Espanha e da Itália", explicou.
O titular da pasta da Agricultura ressalta ainda que o ministério não está apoiando investimentos exclusivamente na base do programa Proder. "Fechamos, em 30 de junho, os programas Agro e Agris que também apoiam investimento".
Saíram dos cofres do Ministério da Agricultura, com co-financiamento da União Europeia, desde 1º de janeiro até 30 de junho, 385 milhões de euros (mais de R$ 1 bilhão) referentes à totalidade dos programas de apoio à agricultura.
Quanto ao desemprego no setor, o ministro afirmou que Portugal normalmente importava mão-de-obra. "Todos os anos tínhamos muitos pedidos para recrutar sazonalmente ucranianos, marroquinos", mas agora os pedidos diminuíram, mas continua sendo preciso recorrer à mão-de-obra de fora.