Berlim, 5 out (Lusa) - O presidente alemão, Horst Koehler, afirmou nesta segunda-feira que as medidas adotadas na última cúpula do G20 (grupo que reúne países industrializados e emergentes), realizada em Pittsburgh (Estados Unidos), são "insuficientes" para combater a crise financeira internacional, e disse que "o monstro ainda não está domado".
"Lamentavelmente, as decisões da cúpula do G20 ainda não me permitem concluir que uma crise desta dimensão não se repetirá", disse o chefe de Estado alemão em um encontro da Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB) realizado em Berlim.
"Vejo que o monstro ainda está longe de ser domado", acrescentou o ex-diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), que, em maio, foi reeleito para um segundo mandato presidencial na Alemanha com os votos de democrata-cristãos e liberais.
São exatamente estas forças políticas que já anunciaram uma aliança para formar novo governo, liderado pela chanceler alemã, Angela Merkel, na sequência das eleições legislativas de 27 de setembro.
Há cerca de um ano e meio, em discurso por ocasião do 60º aniversário da DGB, Koehler utilizou pela primeira vez a expressão "monstro" para se referir aos mercados financeiros internacionais.
O presidente alemão voltou a criticar o papel das instituições financeiras na recessão mundial, e disse que os banqueiros "ainda não fizeram uma profunda reflexão" sobre as razões que levaram à crise.
"Parece que o setor bancário quer deixar a política entregue à sua sorte", disse Koehler.
O mercado, "só por si, não chega para que tudo esteja bem, é preciso um Estado forte acima da economia que imponha regras e limites claros e eficazes", declarou o presidente democrata-cristão.