Madri, 8 out (Lusa) - A taxa de desemprego na Espanha alcançou 18,1% no terceiro trimestre do ano, com a eliminação de mais de 1,46 milhão de postos de trabalho em um ano, de acordo com um estudo sobre o mercado trabalhista divulgado nesta quinta-feira pelas empresas Afi-Agett.
O relatório é baseado em dados da Enquete da População Ativa (EPA, na sigla em espanhol), e indica que a perda do emprego se consolidou.
Considerando os dados de desemprego de agosto e a situação desfavorável do mercado de trabalho do mês passado, o estudo prevê que os indicadores de emprego continuarão ruins até o final do ano.
Uma das causas apontadas para isso é que, progressivamente, começarão a se diluir os efeitos do Plano E ? elaborado pelo governo para estimular a geração de emprego e combater a crise ?, que terminará nos próximos meses.
No quarto trimestre, de acordo com o estudo, o emprego continuará caindo, embora na segunda metade do ano sejam perdidos menos 235 mil postos de trabalho em relação ao mesmo período de 2008.
O estudo aponta que haverá pelo menos mais 335 mil desempregados no último trimestre do ano, em comparação com os 570 mil postos de trabalho eliminados no segundo semestre de 2008.
Com base nestes dados, qualquer melhoria significativa na situação do desemprego na Espanha só deve começar a ser notada no segundo semestre de 2010.
Criação de empregosO estudo contesta os dados do governo sobre o número de empregos criados com o Fundo Local de Investimento, que injetou mais de 8 bilhões de euros nas prefeituras para projetos de naturezas distintas.
A análise da Afi-Agett alega que foram criados somente 143 mil postos de trabalho, muito abaixo dos 400 mil divulgados pelo governo espanhol, já que os empregos gerados são temporários e têm duração média de três meses.
Para que o impacto da criação de emprego fosse anual, seria necessário investir mais 24 bilhões de euros no mesmo fundo, de acordo com o estudo, que confirma ainda um aumento do trabalho em tempo parcial, com 40% dos contratos assinados em dezembro configurados neste formato.
Mesmo assim, e apesar desse aumento, a Espanha continua a registrar uma média de apenas 12,9% de trabalho parcial, abaixo dos 18,8% da média da União Europeia.