UOL Economia Notícias

BOLSAS

CÂMBIO

 

09/10/2009 - 13h47

Cúpula em Pequim analisa futuro do jornal com novas mídias

Pequim, 9 out (Lusa) - A grande maioria ou "mesmo todos" os jornais norte-americanos poderão desaparecer nos próximos 20 anos devido ao rápido desenvolvimento de novas mídias, afirmou nesta sexta-feira, na China, o representante da agência de notícias financeiras Bloomberg, Eugene Tang.

As declarações foram feitas em um dos debates da Cúpula Mundial da Mídia, em Pequim. Tang também previu que os jornalistas vão desaparecer e serão substituídos por "cidadãos-jornalistas", mas nem todos concordaram com este panorama esboçado.

Enquanto o responsável da Bloomberg defendeu que, "na era da internet, qualquer pessoa com uma câmera e um telefone celular pode ser jornalista", o presidente da agência de notícias alemã DPA acredita que "um cidadão-jornalista nunca pode substituir um verdadeiro jornalista".

"Quando temos um problema em casa, procuramos um encanador profissional, e não um cidadão-encanador", disse o responsável alemão.

O futuro dos jornais também foi abordado pelo presidente da agência de notícias japonesa Kyodo, Satoshi Ishikawa, que disse que, no Japão, o declínio dos jornais "não tem sido tão acentuado como em outros países", porque "quase 100% de sua tiragem" é distribuída em casa: "Não há bancas de jornais nas ruas de Tóquio", disse.

Porém, as receitas publicitárias diminuíram 9,7% no primeiro semestre de 2009 e "há um crescente número de estudantes e de jovens que não lê jornais", acrescentou Ishikawa.

A Cúpula Mundial da Mídia, que termina neste sábado, em Pequim, foi organizada pela agência de notícias oficial chinesa Xinhua, com o apoio de oito grandes empresas mundiais do setor, entre elas News Corporation, de Rupert Murdoch, BBC, Reuters e Time Warner.

O objetivo é analisar os desafios enfrentados pelos veículos de comunicação tradicionais - agências de notícias, jornais, emissoras de rádio e televisão - na era do digital e da multimídia.

A Cúpula, inaugurada nesta sexta-feira pelo presidente chinês, Hu Jintao, reúne responsáveis de 170 meios de comunicação, incluindo 17 da África, onde os "desafios" são muito diferentes.

"No meu país, 25% da população não têm eletricidade em casa e não pode sequer ver televisão", lembrou o presidente de um grupo de comunicação do Zimbábue.

Os organizadores do evento afirmam que "o modelo global dos media está a passar por transformações sem precedentes" e "a crescente diversidade das exigências do público colocam ao setor desafios e oportunidade inéditas".

O representante português é o presidente da Agência Lusa, Afonso Camões.

Três outros países lusófonos ? Brasil, Angola e Moçambique - também participam da reunião, através do Grupo Folha/UOL, da agência de notícias angolana Angop e da agência de notícias moçambicana, respectivamente.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host