Por António Caeiro, da Agência LusaXangai, China, 16 out (Lusa) - O aviso, escrito em inglês e chinês em um adesivo amarelo, está em todos os táxis de Xangai: "Se tiver algum problema de comunicação com o motorista ligue para o 962288, para assistência gratuita".
Com esta medida, as autoridades chinesas pretendem evitar quaisquer problemas durante a Expo 2010, que acontece entre 1° de maio e 31 de outubro em Xangai, sob o tema "Melhor Cidade, Melhor Qualidade".
É o maior acontecimento internacional organizado pela China depois dos Jogos Olímpicos de Pequim, com a participação de mais de 240 países e instituições, e deverá atrair 70 milhões de visitantes, 5% estrangeiros.
Todos os dias, às 19h locais, logo no início do principal noticiário da
CCTV (Televisão Central da China), o apresentador do telejornal anuncia quantos dias faltam para a abertura da Expo 2010.
"As autoridades chinesas estão empenhadas em que a Expo 2010 seja a maior de sempre", disse o comissário-geral de Portugal, Rolando Borges Martins, quando assinou o contrato para a participação portuguesa.
O evento estende-se por 528 hectares (dez vezes a área da Expo 1998, em Lisboa), ao longo das duas margens do rio Huangpu, o afluente do Yangtze que atravessa Xangai.
Cerca de 270 fábricas, algumas "altamente poluentes", e 18.000 famílias, que viviam em "casas degradadas", foram, entretanto, deslocadas, disse um porta-voz da organização.
A Expo 2010 será servida por cinco linhas de metrô, algumas delas ainda em construção.
Toda a "baixa" de Xangai parece, aliás, um enorme estaleiro, com operários e máquinas trabalhando noite e dia.
O próprio Bund, a marginal neogotica da cidade, onde Spielberg filmou a sequência de abertura de "O Império do Sol", está fechado para obras.
Xangai é a maior e mais cosmopolita cidade chinesa, com cerca de 20 milhões de habitantes.
Centenas de arranha-céus envidraçados - entre eles o Shanghai World Trade Center, com 101 andares e 492 metros de altura - dominam a paisagem, mas a cidade tem também uma densa malha de ruas e avenidas com plátanos ao longo dos passeios e edifícios de quatro e cinco andares.
A venda de bilhetes começou em 1° de julho e até a abertura do evento os organizadores esperam ter vendido cerca de 40% do total.
"Portugal só pode ganhar se se apresentar de forma atrativa e aproveitar bem as potencialidades da China (?) Vamos mobilizar as empresas portuguesas que já estão na China e as queiram aproveitar a Expo 2010 para entrar na China", disse também Rolando Borges Martins.
A Expo 2010 terminará com uma cúpula mundial sobre inovação urbana e desenvolvimento sustentado, organizada com o apoio do Bureau International dês Expositions (BIE) e o departamento da ONU para os Assuntos Econômicos e Sociais.