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17/10/2009 - 11h23

Livro de bolso tenta ressurgir no mercado literário luso

Por Raul Malaquias Marques, da Agência Lusa

Lisboa, 17 out (Lusa) - Com grande difusão nos anos 60 e 70, "reativado" nos anos após a Revolução dos Cravos (1974) e sofrendo alguns abalos comerciais nos anos 90 - quando se extinguem várias coleções -, o livro de bolso ressurgiu nos últimos anos em Portugal.

Ressurgimento tímido, sem garra, na opinião de alguns. Ressurgimento ousado, para outros.

Uma coisa ou outra, a verdade é que, isoladamente ou em grupo, várias editoras se dedicaram recentemente à criação de novas coleções de bolso. A Leya lançou a BIS, a Bertrand a 11/17 e o trio Assírio & Alvim, Cotovia e Relógio d'Água a Biblioteca Independente (BI).

A Leya, há dias, anunciou a colocação dos livros da sua coleção à venda em máquinas automáticas em Lisboa.

É um ressurgimento que ocorre em "ambiente mental" pouco propício: há em Portugal a ideia disseminada de que o formato não tem a preferência do leitor português.

Ideia que não tem fundamentação histórica, sociológica, cultural ou qualquer outra, se for considerada a abundância das coleções de bolso existentes antes de 1974.

Edições

Abertas à poesia, à ficção, ao teatro e ao ensaio de autores nacionais e estrangeiros, fizeram história, entre outras, a Miniatura (Livros do Brasil), Cadernos de Poesia (Dom Quixote), Argonauta e Vampiro (Livros do Brasil), Teatro (Centelha), Coleção Três Abelhas (Europa-América), O Livro de Bolso (Portugália), Cadernos D. Quixote (Dom Quixote), Coleção Horizonte (Livros Horizonte), Coleção Forma (Editorial Presença), Coleção de Bolso da RTP.

A Miniatura, a Livro de Bolso, as Três Abelhas e os Cadernos de Poesia, por exemplo, deram à estampa, em primeira edição, alguns dos maiores nomes do romance, do teatro e da poesia de Portugal e do mundo. Tudo ao contrário do que agora acontece: nenhuma estatística - se a houvesse - assinalaria hoje a publicação de inéditos neste formato.

O aumento dos custos de produção e dos direitos de autor dita esta "variação". Aos escritores não agrada a perspectiva de um original seu ser publicado em formato pequeno antes de ser lançado em edição normal.

O livreiro Joaquim Carneiro, um rosto já há muitos anos familiar aos frequentadores da Livraria Portugal, em Lisboa, lembra-se bem do acolhimento que, em seu tempo, tiveram as coleções de bolso, em particular as das Três Abelhas, da Miniatura, da Coleção da RTP. "Vendiam-se enormemente",conta.

Tem sobre este formato ideias bem definidas. Pensa, por exemplo, que um livro de bolso precisa, para ser lançado, de uma estratégia diferente da que se adota no caso de um livro de edição normal. "Se um livro de ficção não vende em edição normal, não vale a pena vendê-lo em edição de bolso".

Vendedor de livros, Joaquim Carneiro é pragmático: "A margem dos livros é de 30%. Se eu tenho um livro de 20 euros, fico com 30%. Mas, se vendo um livro de oito euros. ele ocupa-me o mesmo espaço e não rende. Ora eu tenho de rentabilizar o meu espaço".

Há casos excepcionais, no entanto. O livreiro está seguro de que um livro de bolso lançado com uma boa estratégia a apoiá-lo, com uma boa publicidade, de um bom autor, tem "meio caminho" andado para vender bem.

Detalhes

É também o que pensa Nelson de Matos, ex-diretor editorial nas Publicações Dom Quixote. "As tiragens viabilizavam-se com números menores. Os custos de fabricação eram bastante baixos, permitiam fazer o livro de bolso".

"Já houve e há coleções de bolso que se viabilizaram. Recordo-me da Europa-América, com uma coleção de centenas ou mesmo milhares de títulos. E a Dom Quixote feita por mim teve uma coleção de bolso de bastante dignidade".

Quando se fala de "insucesso do livro de bolso", o editor disse que há detalhes importantes que não são tomados em consideração. "Na minha ideia - argumenta - o insucesso não é devido a que as pessoas não gostam de ter ou ler livros de bolso. A razão é que o livro de bolso tem uma técnica especial, não é para produzir nem distribuir, nem comercializar, nem promover da mesma maneira que um livro normal".

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