Rio de Janeiro, 18 out (Lusa) - Os pequenos empreendimentos estão aproveitando a forma como o Brasil se projeta atualmente no cenário internacional, avaliam especialistas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
"O Brasil está num momento de destaque no cenário internacional com uma economia mais solidificada a atrair os olhos de investidores para a cadeia produtiva, que tem sempre uma micro ou pequena empresa por trás", afirmou a gerente de políticas públicas do Sebrae no Rio de Janeiro, Andreia Crocamo.
As micro e pequenas empresas (MPE) respondem por 99% das firmas brasileiras e são responsáveis pela maior parte dos empregos formais, quase 60%.
O Sebrae trabalha para ampliar em 10% o número de MPE, até 2010.
Os gestores consultados pela Agência Lusa afirmam que, apesar da crise financeira, o desempenho brasileiro em resposta ao clima de insegurança nas economias globais está favorecendo também as pequenas empresas pela sua facilidade de adaptação às oscilações.
"Mesmo em época de crise, enquanto as grandes empresas eliminaram 150 mil postos de trabalho, as pequenas empresas, ao contrário, empregaram 400 mil pessoas", explica Crocamo ao citar que esta é uma forma de democratizar as oportunidades.
Por outro lado, a inserção no comércio internacional é um desafio, considera Louise Machado, que coordena o Programa de Internacionalização das MPE.
Louise Machado defende que o serviço de apoio aos pequenos empresários deve estar alinhado à política brasileira de relações internacionais.
"Internacionalizar não é só exportar, é também importar, estabelecer joint ventures e parcerias entre MPE internacionais a fim de ter um ganho no valor agregado", afirmou.
Segundo a gestora do Sebrae, a participação das MPE na balança comercial brasileira atinge 50% do número de empresas exportadoras do país. No entanto, o volume exportado é de apenas 1,2%.
A coordenadora do programa, que procura oportunidades no exterior, defende a realização de missões internacionais para estabelecer parcerias e cooperações técnicas.
Em primeiro lugar, este programa, salienta Louise Machado, volta-se para mercados de fronteira na América do Sul e no futuro para parcerias com a União Europeia.
A gestora acrescenta que o Brasil, por estar "bem posicionado" no mundo lusófono, está construindo novas parcerias com os países de língua portuguesa para avançar em 2010.
Segundo um estudo do Sebrae sobre o desempenho exportador das MPE brasileiras, divulgado em novembro do ano passado, o valor exportado atingiu o recorde histórico de R$ 2,1 bilhões em 2007, com alta de 12,4%.
O valor médio exportado pelas MPEs atingiu US$ 163,9 mil em 2007, com alta de 12,5% em relação ao ano anterior e de 10,5% nos últimos cinco anos, conforme o levantamento.
O mesmo documento indica ainda que a União Europeia foi, em 2007, o destino preferencial das exportações.