Washington, 21 out (Lusa) - A economia dos Estados Unidos continua em recuperação, graças aos segmentos de habitação e indústria, mas as melhorias setoriais e regionais são "pequenas ou esparsas", segundo o último balanço da Federal Reserve (Fec, banco central norte-americano).
"As referências de ganhos na atividade econômica superam, de modo geral, os declínios, mas quase todas as referências a melhorias foram qualificadas de pequenas ou esparsas", diz o balanço divulgado nesta quarta-feira, conhecido como "Livro Bege" que compila dados dos doze anexos regionais do Fed.
O documento destaca ainda que as altas acontecem a partir de níveis de atividade "deprimidos".
Um dos motivos para a expansão do setor da habitação está um crédito público de US$ 8.000 para compra de primeira habitação, e alguns economistas mostram-se preocupados que quando expirar esta medida de estímulo (30 de novembro), o nível de atividade retome a trajetória descendente.
ExpectativaPara a recuperação do setor industrial, em particular o automotivo, houve a contribuição do já extinto programa governamental para estimular a compra de novos automóveis para substituir os antigos (
cash for clunkers), mas também a reconstituição de inventários de outros bens industriais por parte das empresas.
Tanto a habitação como a indústria reforçaram "um padrão de melhoria que emergiu ao longo do verão". Pelo contrário, o "elo mais fraco" da retomada parece ser o segmento imobiliário comercial, onde as condições são "fracas ou em deterioração" em todas as 12 regiões analisadas.
Também em baixa estão os gastos dos consumidores, que representam cerca de 70% da economia norte-americana.
Em setembro, o desemprego norte-americano atingiu 9,8%, o nível mais alto dos últimos 26 anos, e espera-se que termine o ano acima de 10%.
Quanto à inflação, os distritos registram "pouca ou nenhuma pressão de aumento em preços ou salários", e em alguns casos há mesmo sinais de pressão descendente.
Os dados do balanço estarão em discussão na próxima reunião do presidente do Fed, Ben Bernanke, com os responsáveis pelos diferentes distritos, em 3 e 4 de novembro.
Os banqueiros centrais devem se decidir por uma manutenção das taxas de juro aos mínimos atuais, como forma de estimular a maior economia mundial.