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22/10/2009 - 08h56

China deverá atingir meta de crescer 8% do PIB neste ano

Pequim, 22 out (Lusa) - A economia chinesa crescerá este ano 8%, concretizando a meta fixada por Pequim, anunciou nesta quinta-feira o porta-voz do Gabinete Nacional de Estatísticas, Li Xiaochao.

"Podemos dizer com segurança que aquela meta está quase assegurada", disse Xiaochao, numa conferência sobre o desempenho econômico da China nos primeiros nove meses de 2009.

"Estamos plenamente confiantes", acrescentou.

No terceiro trimestre deste ano, a economia cresceu 8,9%, o que representa 2,7 pontos percentuais acima do registrado no primeiro trimestre do ano.

Além disso, Xiaochao atribuiu o resultado ao "continuo cumprimento" do pacote de estímulos no valor de 4 trilhões de yuans (cerca de R$ 1 bilhão no câmbio atual) adotado há um ano por Pequim para combater a crise.

"As estatísticas, aqui, são sempre controladas pelo governo, mas não há dúvida que a economia chinesa está em boa forma", comentou um perito europeu.

"Claro que se deve ao pacote de estímulos. No domínio do comércio externo as coisas ainda não melhoraram muito", acrescentou.

A meta de crescimento foi preconizada em março pelo premiê chinês, Wen Jiabao, que a considerou "uma necessidade e uma possibilidade".

"A confiança é mais importante que o ouro e o dinheiro", disse Jiabao.

O primeiro-ministro chinês frisou então que, enquanto os Estados Unidos e a Europa "têm de combater a crise em duas frentes", na China, "de um modo geral, o sistema bancário está sólido e estável".

Jiabao advertiu, contudo, que este ano será "o ano mais difícil para o desenvolvimento econômico da China desde o início do século 21".

As exportações, um dos pilares do crescimento econômico chinês, foram duramente afetadas pela recessão global e pela diminuição da demanda na União Europeia e Estados Unidos - os principais parceiros comerciais chineses.

Para compensar, Pequim apostou no aumento do consumo interno e no investimento em grandes obras de infra-estrutura.

As vendas no varejo, um importante indicador do consumo, subiram 15,1% no terceiro trimestre do ano.

Contudo, a expansão de 8% neste ano será o patamar mais baixo alcançado pelo gigante asiático na última década.

A última vez que a economia chinesa cresceu abaixo dos 9% foi em 2000, quando o aumento do PIB se situou nos 8,4%.

No ano passado, o crescimento foi de 9% e no ano anterior chegou aos 13%.

Desde o início da política de "Reforma e Abertura", lançada há três décadas sobre a direção de Deng Xiaoping, a economia chinesa cresceu em média 9,8% ao ano, um desempenho considerado inédito na história moderna.

A China já é a terceira maior economia do mundo, depois dos EUA e Japão, sendo que analistas preveem que este ano possa subir ao segundo lugar.

As suas reservas em divisas atingiram, entretanto, um novo recorde, ultrapassando os US$ 2,27 trilhões.

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