Pequim, 22 out (Lusa) - A economia chinesa crescerá este ano 8%, concretizando a meta fixada por Pequim, anunciou nesta quinta-feira o porta-voz do Gabinete Nacional de Estatísticas, Li Xiaochao.
"Podemos dizer com segurança que aquela meta está quase assegurada", disse Xiaochao, numa conferência sobre o desempenho econômico da China nos primeiros nove meses de 2009.
"Estamos plenamente confiantes", acrescentou.
No terceiro trimestre deste ano, a economia cresceu 8,9%, o que representa 2,7 pontos percentuais acima do registrado no primeiro trimestre do ano.
Além disso, Xiaochao atribuiu o resultado ao "continuo cumprimento" do pacote de estímulos no valor de 4 trilhões de yuans (cerca de R$ 1 bilhão no câmbio atual) adotado há um ano por Pequim para combater a crise.
"As estatísticas, aqui, são sempre controladas pelo governo, mas não há dúvida que a economia chinesa está em boa forma", comentou um perito europeu.
"Claro que se deve ao pacote de estímulos. No domínio do comércio externo as coisas ainda não melhoraram muito", acrescentou.
A meta de crescimento foi preconizada em março pelo premiê chinês, Wen Jiabao, que a considerou "uma necessidade e uma possibilidade".
"A confiança é mais importante que o ouro e o dinheiro", disse Jiabao.
O primeiro-ministro chinês frisou então que, enquanto os Estados Unidos e a Europa "têm de combater a crise em duas frentes", na China, "de um modo geral, o sistema bancário está sólido e estável".
Jiabao advertiu, contudo, que este ano será "o ano mais difícil para o desenvolvimento econômico da China desde o início do século 21".
As exportações, um dos pilares do crescimento econômico chinês, foram duramente afetadas pela recessão global e pela diminuição da demanda na União Europeia e Estados Unidos - os principais parceiros comerciais chineses.
Para compensar, Pequim apostou no aumento do consumo interno e no investimento em grandes obras de infra-estrutura.
As vendas no varejo, um importante indicador do consumo, subiram 15,1% no terceiro trimestre do ano.
Contudo, a expansão de 8% neste ano será o patamar mais baixo alcançado pelo gigante asiático na última década.
A última vez que a economia chinesa cresceu abaixo dos 9% foi em 2000, quando o aumento do PIB se situou nos 8,4%.
No ano passado, o crescimento foi de 9% e no ano anterior chegou aos 13%.
Desde o início da política de "Reforma e Abertura", lançada há três décadas sobre a direção de Deng Xiaoping, a economia chinesa cresceu em média 9,8% ao ano, um desempenho considerado inédito na história moderna.
A China já é a terceira maior economia do mundo, depois dos EUA e Japão, sendo que analistas preveem que este ano possa subir ao segundo lugar.
As suas reservas em divisas atingiram, entretanto, um novo recorde, ultrapassando os US$ 2,27 trilhões.