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22/10/2009 - 10h23

Banco Mundial pede prudência com melhora em Angola

Luanda, 22 out (Lusa) - O Banco Mundial considera que o atual momento da economia Angola permite um "otimismo cuidado" sob uma "contínua prudência" na condução das políticas macroeconômicas, graças à subida do preço do petróleo nos mercados internacionais.

No relatório mensal de outubro, assinado pelo economista-chefe do BM em Angola, Ricardo Gazel, a instituição assinala que a economia do país melhorou desde o balanço de setembro, apontando como razão principal a "recuperação do preço do petróleo".

Para isso, aponta Gazel, contribuiu o fato de o preço do Girassol, referência para Angola, que, apesar de se manter 30% abaixo dos valores de um ano atrás e 48 % abaixo do pico registrado em julho de 2008, recuperou 68% em relação a dezembro de 2008.

"Para os últimos três meses de 2009, o preço médio de referência para Angola deverá ser superior ao preço médio no mesmo período de 2008, ao mesmo tempo que a produção sofreu igualmente um aumento substancial usando como referência os baixos níveis de produção do início do ano, com uma produção diária média de 1,85 milhão de barris", aponta o BM.

Estes números configuram, destaca Gazel, uma subida de 13% em relação ao ponto mais baixo (1,64 milhão de barris/dia) em fevereiro".

Esta realidade implicou, descreve o economista, no aumento dos dividendos em impostos de US$ 840 milhões nos primeiros quatro meses do ano, atingindo US$ 1 bilhão no segundo quadrimestre.

Em síntese, nota o economista-chefe do BM, os dividendos do petróleo "duplicaram em agosto e setembro, comparando com os primeiros três meses do ano, resultando numa ajuda importante à cobrança fiscal do governo", principalmente em relação à estabilização das reservas externas.

"Perante este cenário, as reservas externas estabilizaram e até cresceram ligeiramente nos últimos três meses", informa Gazel, alertando, todavia, para o fato de as "avultadas vendas de dólares por parte do Banco Nacional de Angola (com o objetivo de controlar a depreciação do kwanza face ao dólar no mercado paralelo) nas últimas semanas refletem uma ligeira queda nas reservas internacionais de outubro".

Gazel minimiza esta situação, descrevendo-a como normal no objetivo de controlar a moeda nacional.

Neste documento, ele ainda analisa a decisão de Luanda em liberalizar o mercado da refino de petróleo, distribuição e aprovisionamento de combustíveis, apontando a posição de analistas que se mostram preocupados com a possibilidade desta medida implicar a intenção do governo em aumentar os preços dos combustíveis.

Porém, Gazel entende que a decisão vai implicar uma melhoria significativa na prestação de serviços com a esperada concorrência, sobretudo com a diminuição das longas filas nos postos de gasolina e também, no caso de alterações na política de subsídios dos combustíveis, "a competição irá pressionar os preços para baixo, o que não acontece com a atual situação de monopólio" por parte da petrolífera estatal Sonangol.

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