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22/10/2009 - 10h52

UE diz que mercado único ainda não é realidade na internet

Bruxelas, 22 out (Lusa) - A Comissão Europeia (braço executivo da União Europeia) quer simplificar o "labirinto jurídico" do mercado do comércio eletrônico, apontando que um estudo recente revelou que as chances de haver sucesso em uma compra transfronteiriça pela internet são inferiores a 50%.

A UE fez exercício de compras fictícias nos 27 Estados membros, processando mais de 11mil encomendas-testes de 100 produtos populares, como câmeras fotográficas, livros e CDs, e concluiu que 60% das transações não podiam ser completadas porque o comerciante não fazia entregas no país em que tinha sido feita a encomenda ou não oferecia meios adequados de pagamento através das fronteiras.

"Os benefícios que os cidadãos perdem com isso também são muito claros", já que em 13 dos 27 Estados membros mais de metade dos produtos da lista podiam ser encontrados por um preço 10% inferior (incluindo as despesas de transporte) em um site de outro país.

Além disso, 50% dos produtos procurados não podiam ser encontrados em sites nacionais e apenas eram propostos ao consumidor em outro Estado-membro, por outros comerciantes.

"Os resultados desta investigação são surpreendentes. Dispomos agora de fatos e números concretos que mostram até que ponto o mercado único europeu simplesmente não está acontecendo para os consumidores do comércio online", disse a comissária europeia dos Consumidores, Meglena Kuneva.

Segundo Kuneva, "está sendo negada aos consumidores europeus a possibilidade de ter uma melhor escolha", pelo que é "absolutamente necessário simplificar o labirinto jurídico que impede que os comerciantes online passem a oferecer os seus produtos em outros países".

Potencial

A Comissão Europeia defende que se reduza o complexo quadro normativo, "que tem funcionado como um desincentivo para as empresas, que assim se sentem relutantes em servir os consumidores de outros Estados membros".

O mercado europeu do comércio eletrônico foi estimado em 106 bilhões de euros (R$ 277,89 bilhões) em 2006.

Em um relatório divulgado em março, a Comissão apontava que existem grandes diferenças entre os 27 países do bloco, pois há uma grande popularidade das compras online em países como Reino Unido, França e Alemanha, onde mais de 50% dos usuários da internet fizeram compras online em 2008, enquanto em outros países esse valor não ultrapassa 10%, como é o caso de Portugal.

A UE observa que, apesar de a distância que medeia o comércio eletrônico nacional e o comércio eletrônico transfronteiriço ser cada vez maior, em resultado das barreiras existentes ao comércio online, "há claramente um grande potencial": um terço dos consumidores da UE afirma considerar comprar online em outro país do bloco se o produto for mais barato e melhor, enquanto outro terço está disposto a comprar em outra língua.

Por seu lado, 59% dos varejistas estão preparados para fazer negócio em mais de uma língua.

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