São Paulo, 23 out (Lusa) ? A economia da América Latina e do Caribe deverá crescer este ano 2,5%, apesar do efeito negativo da crise global, informou nesta sexta-feira o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O organismo financeiro salientou, num relatório sobre o desempenho econômico da América Latina e do Caribe, que a economia da região deverá registrar um crescimento de 2,9% em 2010.
A projeção do FMI indica igualmente que a economia brasileira deverá registrar uma quebra de 0,7% este ano e um crescimento de 3,5% em 2010.
A crise global será responsável por perdas de quase 100 bilhões de euros à economia regional, disse o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Nicolás Eyzaguirre, na apresentação do relatório, em São Paulo.
O relatório aconselha que os países da região já comecem a pensar na suspensão das medidas adotadas para combater os efeitos negativos da crise global.
"Retirar o estímulo muito rapidamente acarretaria em riscos, pois a recuperação mundial ainda não está bem instalada, mas retirar os incentivos de forma muito lenta também inclui riscos", cita o relatório.
Nicolás Eyzaguirre sugeriu que os países retomem a agenda de reformas de suas economias, como forma de acelerar a retoma do crescimento econômico no futuro.
O responsável afirmou igualmente que a cobrança de um imposto sobre o capital estrangeiro adotada pelo Governo brasileiro esta semana não deve servir como pretexto para adiar as reformas estruturais da economia.
A taxação de 2% em aplicações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) teve como objetivo conter a entrada de capital estrangeiro, responsável pela valorização da moeda brasileira.
"Não podemos pensar que isso (cobrança do imposto) vai fazer toda a diferença, se não agirmos em todos os campos", afirmou o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.
Nicolás Eyzaguirre lembrou que o Brasil precisava se defender contra a entrada de capital estrangeiro, uma vez que os países industrializados deixaram de ser atraentes e a China impõe barreiras para os investidores estrangeiros.
"Se estivesse no lugar de vocês (brasileiros), provavelmente seria favorável (à cobrança do imposto)", afirmou o diretor do FMI.