UOL Economia Notícias

BOLSAS

CÂMBIO

 

24/10/2009 - 08h12

Portuguesa cria 'bombom trasmontano' e foge do desemprego

Vila Real, 24 out (Lusa) - Desempregada há quase três anos, Carla Baptista resolveu colocar as mãos no chocolate juntando-lhe os mais variados produtos colhidos na região transmontana, desde as laranjas, amêndoas, figos ou o mel, e criou variados bombons que já estão à venda em Vila Real, no norte de Portugal.

Um intenso aroma de chocolate invade a cozinha onde Carla desenforma mais bombons. O chocolate é belga, mas todos os outros produtos que servem de recheio aos bombons da primeira chocolateria transmontana são colhidos na região.

Até o momento já criou 12 variedades de bombons. Foi juntando ideias, recolhendo opiniões entre os familiares que tiveram a "difícil" tarefa de provar, e o resultado é para todos os gostos. Chocolate ao leite, branco ou preto, com sabor a laranja, morango, com mel ou compota de maçã. Ainda com frutos secos como pinhões, amêndoas ou passas.

Além disso ainda faz trufas e rodelas de laranjas caramelizadas recheadas de chocolate negro.

Carla quer fazer o mesmo com outras frutas. As novas experiências vão envolver figos e castanhas e, segundo disse à Agência Lusa o seu grande objetivo é fazer bombons recheados com vinho do Porto.

A Casinha de Chocolate nasceu de uma ideia das irmãs Carla, 39 anos, e Sandra Baptista, 33 anos, depois de a mais velha, formada em engenharia Zootécnica, ter ficado desempregada em dezembro de 2006.

Depois de muito procurar sem sucesso, resolveu pedir ajuda ao projeto Glocal. A ideia era criar o próprio emprego, mas Carla só descobriu o que queria fazer depois de um telefonema com a irmã, Sandra, que tinha acabado de visitar uma chocolateria na zona de Leiria.

O Glocal - Empresas Locais com Orientação Global foi lançado em 2003 com o objetivo de facilitar a criação de pequenas empresas e de novas oportunidades de emprego.

Mas o processo não foi fácil. É que, segundo Sandra Baptista, o chocolate, apesar de adorado por muitos, ainda não está bem explorado. A maior dificuldade foi conseguir formação na área e arranjar empregados com experiência.

Carla começou por fazer formação no Porto, passou por Montemor, Óbidos e na próxima semana viaja à Bélgica.

O apoio financeiro foi pedido há um ano ao Programa de Estímulo à Oferta de Emprego, cuja responsabilidade de execução é do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), e ainda sem resposta, as irmãs já abriram as portas.

Neste mundo de chocolate, todos os detalhes foram pensados e demonstram uma forte preocupação ambiental, por isso mesmo as caixinhas onde são vendidos os bombons são feitas de papel reciclado.

A Casinha de Chocolate já criou três postos de trabalho. Além de Carla, foi contratada uma ajudante de cozinha e um funcionário para o posto de venda. Sandra ajuda, aos finais de semana, a repor o estoque.

Em menos de uma semana, e entre vendas e ofertas, já foram consumidos cerca de 600 bombons em Vila Real.

Compartilhe:

    Hospedagem: UOL Host